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Dia da Cuca

Ricardo Polettini
| Tempo de leitura: 2 min

Embora a tradição do Halloween tenha origem européia, o Brasil acabou incorporando parte da celebração. Versão tupiniquim da bruxa seria a Cuca.

Hoje é o Dia das Bruxas, o chamado Halloween. Mas, se fôssemos festejar a data à brasileira, poderíamos dizer Dia da Cuca, já que a personagem, eternizada por Monteiro Lobato, é a figura folclórica local que mais se aproxima da idéia européia de bruxa.

Claro que não dá para fazer um paralelo nacional com a tradição de origem milenar (leia boxe). Mas cabe questionar porque assimilamos tão facilmente uma festa com personagens importados.

Segundo Leila Grassi, professora de arte, cultura e folclore brasileiro da Universidade do Sagrado Coração (USC), o Halloween chegou ao Brasil lá pelos idos dos anos 40, tempo em que Getúlio Vargas abriu as portas para um intercâmbio cultural com os americanos. Foi quando surgiram o Zé Carioca e a fama da Carmen Miranda, lembra. O Brasil começou a assimilar mais a cultura européia nessa época, vinda desde o século 19. As escolas introduziram o inglês como idioma estrangeiro optativo, completa.

Para ela, no Brasil, o que se aproximaria mais do Halloween seria a passagem de ano, quando as crianças saem às ruas, de porta em porta, pedindo dinheiro e balas, o ano bom. Também temos o período da quaresma, quando dizem que as coisas ficam mais tenebrosas, que as bruxas estão soltas, explica Leila.

Todo dia

No entanto, no Brasil, a Cuca e outras lendas não têm um dia específico, mas permanecem na memória das pessoas todos os dias. É o que comprova o historiador Heusner Grael Tablas, que acaba de lançar o livro Lendas de Dois Córregos (R$ 5,00 - pedidos pelo correio: av. Guarani, 40, CEP 17300-000, Dois Córregos - SP). O dinheiro da venda da obra vai para o Conselho de Defesa do Meio Ambiente (Condema).

O singelo volume trata de lendas comuns na nossa região, como a Menina-do-Ouro, que mora no vale do rio Tietê, as canoas sem remo, o Caminhão-Fantasma dos canaviais e o Unhudo, espécie de morto-vivo que protege a mata da Pedra Branca, em Dois Córregos.

Para Heusner, embora seja válida a assimilação cultural em tempos de globalização, a massificação de alguns mitos estrangeiros acabam confinando nosso imaginário apenas na memória dos mais velhos. Acho válido saber de bruxas e Papai Noel, hoje em dia todo mundo sabe. Mas não podemos deixar nossas lendas de lado, que acabam ficando lá no passado, lamenta.

Heusner diz que a Cuca, uma personagem muito anterior a Monteiro Lobato, seria a versão brasileira da bruxa européia, mas ela aparece também como a Sabilaia, em São Manuel, e com muitos outros nomes pelo Brasil afora. A história é quase sempre a mesma: ela prende crianças travessas na gaiola. Sai fora, meu!

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