Ontem de manhã, 207 quilos de maconha foram tirados de circulação. Investigações começaram no fim de julho.
Barra Bonita - A Delegacia de Investigação Sobre Entorpecentes (Dise) de Jaú realizou ontem, em Barra Bonita, a maior apreensão de drogas já feita na região de Jaú. Comandada pelo delegado José Roberto de Almeida Prado Marchesan, a operação policial resultou na apreensão de 207 quilos de maconha, dois quilos de cocaína e na prisão em flagrante de três pessoas. Além de policiais da Dise, também participaram da operação o delegado Edmílson Marcos Bataier e a Polícia Civil de Barra Bonita.
Segundo informações do delegado Marchesan, a droga estava guardada sob uma lona na garagem da residência de Débora Cristina Viaro, 30 anos, na Vila Correia, em Barra Bonita. A polícia teria chegado ao local depois de receber informação de que uma mulher loira faria a entrega de uma parte da droga, ontem de manhã, em frente a um supermercado.
Logo de manhã, os policias partiram em diligência para o local indicado. Notaram a presença de uma mulher loira, com um saco plástico na mão. Ela teria sido abordada e dentro do saco plástico os policiais teriam encontrado um quilo de maconha.
Débora acompanhou os policiais até a casa dela, na Vila Correia, onde foram encontrados mais 206 quilos de maconha e dois quilos de cocaína. Ambas as drogas, segundo Marchesan, foram apreendidas em estado puro, sem batismo (impureza).
Ao notar a presença da polícia, Lincoln Peixoto Vieira, 46 anos, que estava na casa, teria tentado fugir, mas foi detido pelos policiais. Vieira é morador na cidade do Rio de Janeiro e, ao lado de Marcelino de Sousa e Silva, seria um dos responsáveis pelos contatos e transporte da droga para Barra Bonita, segundo a polícia.
Sousa e Silva é marido de Débora. Ele teria escapado do cerco policial, ontem de manhã, segundo informações extra-oficiais, que não foram confirmadas pelo delegado da Dise. No entanto, Marchesan informou que irá pedir a prisão preventiva de Sousa e Silva.
Após a detenção de Débora e de Vieira, os policiais chegaram a uma terceira pessoa. Maria Aparecida Fernandes de Andrade, 41 anos, mais conhecida como Cida, também foi presa. Ela é mulher de Wanderlei Machado da Silva, preso desde julho também sob acusação de tráfico de drogas.
Todos os acusados foram levados para a Dise, em Jaú, e de lá seguiriam para a cadeia pública de Barra Bonita, no caso de Vieira, e para a cadeia feminina de Dois Córregos, no caso das mulheres. Eles devem responder por tráfico e associação com o tráfico, de acordo com os artigos 12 e 14 da Lei 6368/76. As penas variam de três a 15 anos de reclusão.
Segundo a Dise, Vieira já tinha passagem anterior pela polícia, por tráfico de drogas.
Procedência desconhecida
De acordo com declarações de testemunhas, a droga teria chegado à casa de Débora anteontem à noite, em uma carreta de cor laranja.
A procedência da droga ainda não foi totalmente esclarecida pela Dise, mas o delegado Marchesan acredita que ela tenha vindo de algum Estado do Centro-Oeste. Ele afirmou que somente as investigações serão capazes de chegar a alguma conclusão.
Embora os indiciados não tenham falado nada a respeito, o delegado acredita que a droga seria distribuída para pontos de vendas na região. Após ser batizada, tanto a maconha quanto a cocaína poderiam quase dobrar na quantidade.
Segundo as contas feitas por Marchesan, a apreensão de ontem representou um prejuízo de R$ 110 mil, aproximadamente, aos supostos traficantes. Toda a droga apreendida ontem deve ser encaminhada para perícia e depois deve ser incinerada, segundo o delegado.
De acordo com o delegado Benedito Antônio Valencise, chefe da Delegacia de Polícia Seccional de Jaú, a maior apreensão realizada até ontem pela Dise aconteceu em 1991. Na ocasião, os policiais, comandados à época por Valencise, apreenderam 115 quilos de maconha. A operação começou em Jaú, passou por Pederneiras e acabou em Bauru, relembrou o delegado.
"Quebramos a perna dos traficantes", diz delegado
Jaú - De acordo com o delegado José Roberto de Almeida Prado Marchesan, a apreensão de ontem, a maior registrada pela Dise de Jaú, foi conseqüência de investigações que vinham sendo realizadas desde julho último, quando Wanderley Machado da Silva, 38 anos, mais conhecido como Machadinho, foi preso.
A prisão também foi feita em Barra Bonita, na rodovia SP-255, próximo à ponte do Açúcar, no fim de julho. A polícia teria encontrado um quilo de maconha com o acusado.
Mesmo preso, Machadinho é suspeito de estar coordenando a venda de drogas na região, segundo Marchesan.
Certo de que outras pessoas estariam envolvidas no tráfico de drogas, ao lado de Machadinho, o delegado da Dise teria iniciado investigações que ontem culminaram na apreensão dos 207 quilos de maconha e dois quilos de cocaína, em Barra Bonita. Quebramos a perna dos traficantes, comemorou Marchesan.