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Locomotiva passa por três gerações

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Neto e bisneto do ferroviário Francisco Tepedino, da NOB, colaboraram na restauração da locomotiva n.º 401

A restauração da locomotiva a vapor 401 da Noroeste do Brasil (NOB) pela Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF) teve um sabor especial para Hermenegildo Petrocino Jr. e seu filho Lucas, de sete anos de idade. Eles são neto e bisneto do ferroviário Francisco Tepedino, chefe das oficinas da NOB entre 1918 a 1950 e um dos responsáveis pela montagem da histórica Maria Fumaça.

A locomotiva foi resgatada de Bauru pela ABPF em setembro de 1999 e levada para Campinas, sede da entidade, para ser recuperada e retornar aos trilhos. A associação mantém um pequeno trecho ferroviário em funcionamento - que opera em caráter turístico - entre Campinas e Jaguariúna, de 25 quilômetros.

Ao ficar sabendo da chegada da velha Maria Fumaça a Campinas, Júnior e seu filho se apresentaram como voluntários para trabalhar na restauração da 401, que serviu ao tráfego da NOB por mais de 40 anos. No último dia 21, a máquina retornou aos trilhos, depois de enfrentar dois anos de restaurações, que lhe devolveram suas características originais.

Um grupo de ferroviários da Noroeste do Brasil - comandado por Vivaldo Pitta e Gabriel Ruiz Pelegrina - compareceu à solenidade para relembrar a época de ouro da companhia ferroviária. Além de Pitta e Pelegrina, também prestigiaram o evento Moisés Leme da Silva Jr., Flávio Barbosa, Abel Dias da Silva, Adolfo Aquino e Walter Barbosa.

Emoção

Antes de iniciar sua primeira viagem, a locomotiva teve direito a banda musical e até estouro de champanha, com o esmagamento da garrafa no corpo da máquina pela filha de Tepedino, Maria Aparecida Tepedino Petrocino. Segundo Júnior, seu avô ingressou na NOB em maio de 1918 como ajustador, mas logo alcançou o posto máximo, a chefia das oficinas, pela dedicação e conhecimento do trabalho.

Em 1921, ele foi designado para acompanhar a montagem de um lote de dez locomotivas a vapor, de números 401 a 410, fabricadas pela Baldwin Locomotive Works, na Filadelfia, Estados Unidos. Em outubro de 1928, o ferroviário vai a Europa para fiscalizar a fabricação de locomotivas alemãs Borsig, de Berlim, encomendadas pela NOB. Oito meses depois, desembarca no Brasil com um lote de sete locomotivas.

Tepedino se aposentou em março de 1950. Em 1975, o então prefeito Luiz Edmundo Coube homenageou o ferroviário dando a uma praça da Vila Falcão seu nome. Ele morreu em Campinas, em novembro de 1974, aos 81 anos de idade.

Zona neutra

Na avaliação de Júnior, a locomotiva 401 está sendo muito bem cuidada pela ABPF. Ele diz que o trabalho voluntário dedicado nos finais de semana à restauração da Maria Fumaça amenizou sua indignação quanto ao pouco caso em relação ao patrimônio da Noroeste do Brasil.

O neto de Tepedino esclareceu que a ABPF não se apoderou da 401 como se tivesse roubado de Bauru um objeto de seu patrimônio histórico ferroviário. A ABPF é um museu particular, que sobrevive sem a ajuda do governo, às custas de bilheteria, do patrocínio de algumas empresas da região e da contribuição de seus sócios, explicou.

Para ele, a entidade é uma espécie de zona neutra que trabalha pela preservação da história ferroviária do País. Além da locomotiva da NOB, a associação também mantém máquinas e vagões oriundas da antiga Paulista, Sorocabana, Central do Brasil, Mogiana, Araraquarense, entre outras companhias ferroviárias.

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