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Expotécnica dá orientações a produtores de carne bovina

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 2 min

Mercado e comercialização de carne bovina foi o tema abordado ontem em palestra da IV Expotécnica, que está sendo realizada no Recinto Mello Moraes, juntamente com a Grand Expo 2001. O preletor foi o engenheiro agrônomo especialista em economia aplicada, Sérgio de Zen, da Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiroz (Esalq), de Piracicaba (SP). Cerca de 50 pessoas, entre produtores rurais e interessados no assunto, participaram do evento.

Durante a palestra, Zen falou sobre os destinos da produção de carne bovina brasileira, o perfil do consumidor do mercado interno e as previsões para o mercado internacional. Segundo ele, o mercado interno é responsável pela comercialização de grande parte do volume de carne produzido no País. O mercado externo adquire parcelas consideráveis de algumas partes do boi, como contra-filé, filé mignon, patinho e lagarto.

Com essa seleção do mercado externo, o número de animais no abate aumenta e o preço fica mais barato para o mercado interno, explica Zen.

Os principais importadores da carne brasileira, segundo o engenheiro, são a Comunidade Européia, os países árabes e os Estados Unidos. A desvalorização do real tornou o preço da carne atrativo para as transações em dólar e ainda fortaleceu a competitividade do mercado brasileiro, afirma.

Zen integra a equipe do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq. O órgão é responsável pelo indicador financeiro que baliza o mercado de produtos agropecuários e, em 15 regiões do País, rege o preço do açúcar, algodão, café, entre outras culturas. Responde, também, pelos indicadores de preço do boi gordo e pela movimentação do mercado de carne no Estado de São Paulo.

De acordo com Zen, os problemas sócio-econômicos brasileiros afetam diretamente o perfil do mercado interno, dividindo os consumidores em dois grupos: os que têm renda e os que não têm. Segundo o engenheiro agrônomo, o grupo que prima pela qualidade não aumentaria o consumo de carne em função do preço, mas pela diferenciação e especificidade do produto, como as carnes light e as com baixo teor de colesterol. Os produtores devem buscar saídas para sair do mercado geral e melhorar a qualidade, explica.

Quanto ao mercado internacional, Zen tem previsões otimistas. A produção brasileira tem potencial para atender à demanda de exportações, mas precisa ser desenvolvida corretamente, alerta. Uma das maneiras de fomentar a produção é manter o consumidor a par de todo o processo de produção da carne adquirida. No Brasil essa prática ainda é incipiente, observa o especialista.

Hoje, a programação da Expotécnica continua com a palestra Viabilidade econômica da produção de leite a pasto, que será ministrada pelo dr. Arthur Chinelatto, da Embrapa de São Carlos.

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