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IGUALDADE E COMPETÊNCIA

Isolina Bresolin Vianna
| Tempo de leitura: 2 min

Nos meus mais de 40 anos dedicados ao magistério, seja no oficial e/ou no particular, sempre tenho lecionado para jovens de fim de segundo grau (antigo colegial) ou então e no mais das vezes, para alunos de faculdades de letras. Nunca tive alunos muito ricos, mas lembro sempre de alguns bem pobres, como aquele japonezinho, não sei se nissei ou sansei, de nome e olhos orientais, que vinha da roça para o curso colegial noturno do Estado, sem pão nem seco nem molhado. Deixava ele sua enxada no pátio da escola e só voltava para casa pelas onze da noite, a pé, atravessando mato. Passou em todos os vestibulares que prestou e hoje deve ser alguém na vida, porque sempre foi estudioso e esforçado, sem nunca ter recebido nenhum tipo de privilégio. Lembro-me sempre de dois casos, aqui mesmo de Bauru. Um menino que saiu de casa, em Mato Grosso, com oito anos de idade e foi à luta. Quem é ele hoje? Um excelentíssimo senhor juiz aposentado e escritor de alto gabarito de livros jurídicos, adotados nas boas faculdades de Direito. Igualmente me lembro de outro que desde menino trabalhava em farmácia, depois como paramédico, depois como um brilhante cirurgião e hoje, aposentado, escreve livros de Medicina de alto nível. Os bauruenses da velha guarda conhecemos bem esses dois exemplos. Eu própria, não nasci em berço de ouro mas tão somente em um berço onde se valorizava a cultura e o trabalho duro para consegui-la. Meu primeiro emprego no magistério, no Colégio São José, eu obtive por ser a melhor aluna de Português na Faculdade; fui substituir uma licença de um mês e lá fiquei sete anos, saindo apenas para ir lecionar em nível superior; nunca tive nenhum privilégio por ser branca e ser mulher. Por tudo quanto tenho vivido e aprendido, penso que para haver uma igualdade justa, todos, igualmente, devem ir à luta e que vença o melhor, o mais competente, o mais capaz. Até porque se por um privilégio discriminatório entra para a faculdade alguém sem qualificação nem capacidade para concluí-la, a frustração será bem maior e não terá nada a ver com raça, sexo ou cor. O que deve contar é a capacidade de cada um e o seu esforço. A única desigualdade que desqualifica para o curso superior é a preguiça, a vagabundagem e incompetência: aluno esforçado e estudioso não precisa de privilégios, seja qual for a sua cor. (Isolina Bresolin Vianna - professora e doutora em Letras Neolatinas)

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