Vidágua e Fórum Pró-Batalha estão cobrando medidas compensatórias da termelétrica que será construída em Pederneiras
O Vidágua e o Fórum Pró-Batalha, através do Comitê da Bacia Hidrográfica Tietê-Jacaré, estão cobrando da multinacional Duke Energy, que pretende instalar uma usina termelétrica em Pederneiras, medidas compensatórias ao meio ambiente.
Leis federais estabelecem que quando é construída uma termelétrica, hidrelétrica ou usina nuclear, é necessário compensar de alguma forma o meio ambiente, diminuindo ao máximo os impactos do empreendimento na fauna, flora, água e ar. A termelétrica de Pederneiras terá gás e vapor como matrizes geradoras.
A câmara técnica do Comitê da Bacia Hidrográfica Tietê-Jacaré é um órgão vinculado à Secretaria Estadual de Recursos Hídricos, do qual participam representantes de 30 municípios da região. Em reunião realizada recentemente, o Vidágua manifestou sua preocupação alegando que não havia entre os empreendedores da Duke Energy nenhuma proposta de medida compensatória, em contrapartida à liberação de óxido de nitrogênio e enxofre, que causará chuva ácida em toda região.
De acordo com Ivan Alexandre Ferrazoli de Marche, secretário executivo do Vidágua, 2% da receita da termelétrica deve ser investido em medida compensatória. O valor é estabelecido por lei federal.
Propostas
Visto que a multinacional Duke Energy ainda não apresentou projeto de compensação ao meio ambiente, os ambientalistas fizeram algumas sugestões para serem apresentadas pelos empreendedores.
O Fórum Pró-Batalha e o Vidágua sugeriram um projeto de recuperação da mata ciliar do Ribeirão dos Patos - da nascente à captação de água para refrigeramento da turbina. A extensão do trajeto é de 15 quilômetros.
A sugestão apresentada pelo Ibama é de formação de corredores ecológicos de fauna que liguem pequenos fragmentos de vegetação. Ivan explica que a medida facilitaria a reprodução e a interação de animais isolados em pequenos fragmentos de vegetação.
Além das propostas sugeridas, há outras possibilidades. Uma delas é a formação de um centro de educação ambiental em segmentos de mata. O objetivo seria discutir temas lidados ao meio ambiente, como o efeito estufa e o desgelo, por exemplo.
Outra alternativa é montar um laboratório de monitoramento da termelétrica para que a qualidade da água seja avaliada constantemente. Seria analisada a temperatura da água lançada no ambiente - que não deve ultrapassar 40 graus; se o lançamento dos gases obtidos obedecem o padrão; e a conseqüência da chuva formada pelos gases no solo.
Os empreendedores poderiam também incentivar pesquisas em universidades e institutos sobre o seqüestro de gás carbônico - tema que está sendo discutido em organizações mundiais. Só a floresta minimiza o impacto dos gases porque seqüestra o gás carbônico, que fica reservado na planta, disse Ivan.
Ele acrescenta que para cada megawatt de energia gerada por uma termelétrica seria necessário um quilômetro quadrado de floresta. Como a termelétrica de Pederneiras deverá gerar de 400 a 500 megawatts de energia, seriam necessários de 400 a 500 quilômetros quadrados de floresta para minimizar a emissão dos gases.
A Duke Energy tem até o dia 20 deste mês para apresentar a proposta ao Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema). O órgão deverá avaliar as propostas e votar favorável ou desfavoravelmente ao empreendimento. Ivan cita a termelétrica que não conseguiu ser instalada em Americana, este ano, por medidas ambientais.
Vidágua
O Instituto Ambiental Vidágua tem outros projetos em andamento, como a conclusão do viveiro de mudas nativas. Ele está promovendo um curso de recuperação de áreas degradadas e viveiros que devem ensinar os participantes a montar um viveiro, semear, irrigar e coletar as sementes. O curso é aberto à comunidade e o público-alvo são produtores rurais e universitários. Serão oferecidas de 30 a 40 vagas. O telefone para outras informações é 227-1522.
Além disso, o Vidágua, juntamente com o Fórum Pró-Batalha, está desenvolvendo projetos de recuperação do Água da Ressaca e Água da Furquilha, nascentes do Rio Bauru.