Autor do best-seller Guia dos Curiosos, Marcelo Duarte é o rei das informações peculiares.
Há 6 anos os livros do jornalista Marcelo Duarte freqüentam as listas dos mais vendidos do País. Só o seu primeiro trabalho, o Guia dos Curiosos, já vendeu, aproximadamente, 160 mil exemplares desde que foi lançado, um fenômeno para os padrões nacionais. Ele sempre vende muito assim que eu lanço um novo livro da série, conta. Se depender da disposição e da criatividade desse paulistano de 37 anos, a série, que por enquanto, é composta por mais 4 livros com curiosidades e informações (úteis e fúteis) sobre diversos assuntos, não deve parar de crescer. Em visita a Bauru, onde veio participar da I Feira Nacional do Livro, o jornalista concedeu uma entrevista ao Caderno Ser na qual falou sobre seus livros e a origem da sua curiosidade.
Jornal da Cidade - Sobre que assuntos você escrevia quando trabalhava como jornalista? Marcelo Duarte - Eu trabalhei 15 anos na Editora Abril. Trabalhei na Veja, fazendo a coluna de cidades, fiquei 8 anos na Placar e depois fui para a Playboy.
JC - Como surgiu a idéia de fazer o primeiro Guia dos Curiosos?Duarte - Eu colecionava curiosidades para as minhas reportagens. Deixava na minha gaveta, para eventualmente usar nas minhas matérias. Um dia fui pra Olímpia (Interior de São Paulo), para participar do casamento de uma prima e na estante da sala da casa da minha tia havia uma fileira de livros que me chamou atenção. A coleção se chamava Enciclopédia Curiosa e tinha 9 volumes. Como tinha tempo até o casamento, que era à noite, peguei os livros para ler e achei tudo maravilhoso, mas totalmente ultrapassado. Pedi os livros emprestados para a minha tia e ela acabou me dando a coleção. Dai juntei as coisas, pensei que podia atualizar as informações dos livros e juntar com as curiosidades que eu tinha guardado. Então escrevi uma carta para a Cia das Letras nos seguintes termos: Prezado Sr. Luis (o dono da editora), o senhor saber quantos metros tem o pescoço da girafa? Sabe quantos kilos de comida levava a esquadra de Pedro Álvares Cabral? Sabe quantos degraus tinha a forca de Tiradentes? Se quiser saber as respostas marque uma reunião comigo. Essas informações eu tinha obtido na enciclopédia da minha tia. Ele marcou a reunião mesmo com o pé atrás, me pediu um projeto e depois que eu mostrei o meu plano de fazer um livro com 20 capítulos e vários temas topou bancar a publicação. Dai demorei um ano fazendo o livro porque tinha esquecido muitas coisas e naquela época ainda trabalhava na Veja e tinha muito trabalho. Quando faltava uma semana para o livro sair ele me chamou e disse que se o livro vendesse 5 mil exemplares era para eu comemorar porque ele estava inseguro sobre o sucesso do Guia. O livro foi lançado no dia 10 de maio de 1995, no dia 11, eu fui ao programa do Jô Soares e naquele fim de semana os 5 mil exemplares esgotaram, foi arrasador. Na semana seguinte eles imprimiram mais e já me pediram outro. Eles nunca tinham visto nada parecido. Ai começou a saga.
JC - Qual o segredo do sucesso do Guia?Duarte - O segredo do Guia dos Curiosos é contar de uma maneira simples coisas que os outros livros já contam e, mais do que isso, contar o que nenhum livro conta.
JC - Você era uma criança curiosa?Duarte - Toda criança nasce curiosa e não tem vergonha de perguntar por mais absurda que seja a sua dúvida. Depois quando a gente começa a crescer é que fica com vergonha de perguntar, vergonha de mostrar que ela não sabe alguma coisa. Hoje não existe fonte melhor para o meu trabalho do que o bate-papo com gente menor, com crianças. Tenho dois filhos, um menino de 10 anos e uma menina de 6 anos. Eles me ajudam muito no meu trabalho, por exemplo, meu filho estava assistindo comigo a final do torneio de Roland Garros desse ano, que o Guga venceu. De repente ele me perguntou quem era o Roland Garros. Eu não sabia, mas achei que era algum tenista francês. Fui pesquisar e descobri que ela havia sido um aviador francês muito famoso na época da I Guerra Mundial. O nome dele virou o nome de um bairro de Paris onde está localizada a quadra central onde é realizado o torneio de tênis, que acabou ficando conhecido pelo nome Roland Garros.
JC - Com os livros você se tornou ainda mais curioso?Duarte - Eu já era bastante curioso. O que eu consegui foi transformar a minha curiosidade em profissão. O que eu faço é tentar descobrir o que as pessoas estão querendo saber mas nunca pararam para se perguntar e quem são as pessoas que podem responder essas perguntas, isso nos mais mais diferentes meios. Hoje eu tenho um programa de rádio sobre curiosidades, tenho um site com curiosidades novas a cada dia e tenho escrito pelo menos um livro novo por ano. Continuo sendo curioso, mas na verdade eu não sei tudo o que me perguntam, como as pessoas pensam. É impossível guardar tanta informação. O que eu faço é descobrir quem sabe as coisas e me conta, isso é o que é legal no meu trabalho. Porque tem sempre um especialista em alguma coisa, mesmo que seja uma coisa absurda. Descobri um cara em Jundiaí, por exemplo, que é especialista naquele desenho Corrida Maluca, ele tem todos os episódios gravados.
JC - Qual é o público que mais consome os seus livros? Duarte - O livro serve para todo mundo mas acho que aquele que me escreve, que espera o meu livro chegar na livraria é o público juvenil. Hoje eu tenho uma legião de fãs que são jovens. Todo lugar que eu vou fazer palestras encontro um menino que tem a coleção inteira dos livros e pede autógrafo, tira fotos. Ele deve ter adoração pelo jogador de futebol do clube dele assim como tem por mim e isso é muito gratificante. Esse é o meu público mais fiel.
JC - Hoje você se dedica só aos livros, não sente falta do jornalismo?Duarte - Quando eu era pequeno e me perguntavam o que eu gostaria de ser, eu dizia: escritor. Mas era uma época em escrever não dava dinheiro, era uma época de inflação... Então como gostava de escrever fui fazer jornalismo. Estava bem na profissão, tinha uma carreira ascendente quando apareceram os livros na minha vida. Achei que ia fazer apenas um, me realizar, e ficar por ali. Até porque é um processo desgastante, você lê tanto o livro que fica cansado dele. Quando eu terminei o Guia entrei numa crise muito grande porque achei que ele tinha erros, que as pessoas não iriam gostar... Consegui conciliar durante três anos os livros e o trabalho, até o momento que não dava mais. Fiquei um ano sem editar nada e decidi fazer uma opção. Os livros me dão a possibilidade de fazer o trabalho de jornalista, não o do dia-a-dia, mas um trabalho diferente, principalmente com o site na Internet.
JC - Existem alguns livros no mercado que seguem a mesma fórmula dos seus. Você acha que criou escola ou descobriu um filão? Duarte - O filão estava ali mas ninguém descobria, eu redescobri o filão. Eu acho que inspirei muita gente da mesma maneira que busquei inspiração em coisas antigas. O que eu lamento é que tem muita gente lance livros de curiosidades baseados no que eu fiz, quando tem tanto tema, tanta coisa para se explorar. Eu digo: quanta coisa eu gostaria de fazer, será que vou estar vivo para escrever todos os livros que eu quero?. Eu queria que cada vez mais as pessoas fizessem livros novos para que eu mesmo pudesse ler esses livros, ter outras idéias... Mas eu acho que é o caminho. Fico feliz de ver livros bons baseados no mesmo formato dos meus.
Você sabia que...
... para atingir a altura da Torre de Pisa seriam necessárias 2.800 pizzas empilhadas?
... a cada minutos, 47 bíblias são vendidas ou distribuídas ao redor do mundo?
... acontecem 114 milhões de relações sexuais todos os dias ao redor do planeta? Se todos tivessem um orgasmo, seriam 2.638, por segundo.
... os homens da tribo Waibirir, na Austrália Central, costumam apertar o pênis de um visitante como forma de cumprimento?
... o Brasil já viveu 2 mil batalhas, revoltas e conflitos armados? Uma delas foi a Revolta da Pinga, quando o governo proibiu a entrada dessa bebida na capitania de Minas Gerais.
... no século XIX, o Carnaval baiano era embalado por trechinhos de ópera e a primeira escola de samba foi fundada no Rio de Janeiro em 1928?
... o primeiro grampeador foi inventado em 1868, pelo inglês C.H. Gould e era usado para pregar solas de sapatos? O grampeador de papel só surgiu em 1890.
Fontes: Guia dos Curiosos, Guia dos Curiosos - Brasil, Guia dos Curiosos - Sexo e O Livro das Invenções, todos da Cia. das Letras
Para curiosos de todas as idades
Marcelo Duarte começou a sua bem-sucedida carreira como caçador de curiosidades em 1995, com o livro Guia dos Curiosos, até hoje um best-seller, que já vendeu mais de 160 mil cópias. Quem gosta de informações peculiares sobre os mais diversos assuntos e também de cultura inútil pode se divertir (e aprender) muito com o site, os jogos e os livros do autor:
Nas livrarias:
Guia dos Curiosos, Cia das Letras
Guia dos Curiosos - Brasil, Cia das Letras
Guia dos Curiosos - Esporte , Cia das Letras
Guia dos Curiosos - Sexo, Cia das Letras
O Livro das Invenções, Cia das Letras
"Almanaque das Bandeiras, Editora Moderna
Endereços Curiosos de São Paulo, Panda Books
Ouviram do Ipiranga, Panda Books
Nas lojas:
Jogo Guia dos Curiosos, da Grow
Jogo Capricho, da Grow
Jogo Corinthians - História e Glória, da Grow
Master Kids , da Grow
Perfil Júnior, da Grow
Na Internet:
www.guiadoscuriosos.com.br