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Polícia inicia depoimentos sobre escuta

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Após término da greve dos servidores do Fórum, inquérito retorna à Delegacia Seccional para novas diligências.

O juiz da 3ª Vara Criminal, João Augusto Garcia, prorrogou por mais 30 dias o inquérito policial que apura o caso da escuta eletrônica descoberta na sala do presidente da Câmara Municipal, Walter Costa (PPS). O prazo começou a correr anteontem.

O delegado corregedor Antonio Carlos Piccino, encarregado do inquérito, prepara-se para efetuar novas diligências. Para não atrapalhar as investigações, ele preferiu manter sigilo dos procedimentos que serão tomados nas próximas semanas, com o intuito de esclarecer e apontar os responsáveis pela instalação do equipamento eletrônico clandestino na sala da presidência da Câmara.

Piccino também não definiu uma data para encerrar as apurações. Segundo o delegado, se houver necessidade, um novo pedido de prorrogação poderá ser encaminhado à Justiça.

O que foi autorizado na última segunda-feira pelo juiz da 3ª Vara Criminal chegou ao Fórum no início de agosto, mas sua tramitação foi prejudicada devido à greve dos servidores da Justiça.

Silêncio suspeito

As circunstâncias que cercam a descoberta da escuta clandestina na sala da presidência da Câmara Municipal alimentam a imaginação de qualquer detetive. Após a entrega do relatório da sindicância instaurada pelo Legislativo para apurar a participação de servidores ou de vereadores no caso, o assunto praticamente caiu no esquecimento.

Tudo começou na manhã do dia 22 de junho passado, quando o servidor do setor de limpeza do Legislativo, Wilson de Oliveira, encontrou um equipamento eletrônico instalado atrás de um armário da sala da presidência, dotado de antena de transmissão e microfone. Ele fazia faxina no local.

Walter Costa comunicou o fato ao delegado responsável pelo Departamento de Investigações Gerais (DIG/Garra), JJ Cardia, que, após avaliar o equipamento, o classificou como sofisticado e que só poderia ter sido instalado por pessoas que não são amadoras.

O presidente do Legislativo disse, na época, que a escuta foi instalada em sua sala após o dia 3 de fevereiro deste ano, data da última faxina no local. Ele determinou a abertura de comissão de sindicância para apurar responsabilidades e possível envolvimento de servidores e vereadores no caso.

Desde o início das investigações - tanto pela Polícia Civil como pela sindicância - muitas especulações correram pelos bastidores políticos da cidade, situação que foi ratificada pelos depoimentos tomados no âmbito das duas apurações.

As afirmações, no entanto, sempre foram feitas envolvendo terceiros, ou seja, eu ouvi dizer que, fulano disse que, o que dificultou a apuração do fato.

Depois de dois meses de investigações e tomada de dezenas de depoimentos, a sindicância da Câmara não conseguiu apontar a autoria do fato. O relatório confirma aquilo que já era conhecido nos bastidores políticos: a citação dos nomes dos vereadores Walter Costa e Milton Dota Jr. no caso.

O presidente da Câmara foi citado pelo presidente da Associação de Defesa da Cidadania (Adeciba), Oscar Faria. Ele teria deixado transparecer nas entrelinhas, em conversas com amigos, que a escuta teria sido instalada pelo próprio Walter Costa. A situação levou Walter a processar o presidente da Adeciba.

Já Dota Jr. foi acusado de transitar pelos corredores do Legislativo com um gravador de bolso ligado para registrar diálogo com seus interlocutores. Especulou-se muito que ele seria o responsável pela instalação da escuta, mas em nenhum momento chegou à comissão prova cabal que confirmasse a acusação.

Logo após a entrega do relatório à presidência da Câmara, Dota Jr. se desfiliou do PPS. O parlamentar justificou que não poderia conviver no mesmo partido a qual está filiado Walter Costa, a quem acusou de o ter apunhalado pelas costas.

Ele se sentiu ofendido pelas declarações de Costa à sindicância, que relatou que ouviu na sala da presidência, onde estavam outras pessoas, que o vereador Milton Dota Jr. costuma andar com um aparelho gravador no bolso da camisa e que grava pessoas que conversam com ele.

O processo de sindicância instaurado pela Câmara, após sua conclusão, foi encaminhado à Polícia Civil para se juntar ao inquérito que está em andamento.

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