Somente, neste sábado, dia 24, fiquei sabendo da morte do grande Fernando Pierre, um dos maiores jogadores da história do E.C. Noroeste, como sublinhou, em sua coluna, Leonardo de Brito.
Permito-me repetir, o que escrevi há cinco anos na seção Tiro Livre do falecido Diário de Bauru:
De vez em quando topo com o Pierre esperando os netos na escola. Fiquei sabendo que regularmente ele ensina futebol para os meninos do Lar Escola Rafael Maurício.
Deve passar aos garotos a energia que o marcou como um dos maiores jogadores da história do Noroeste. Nenhuma finesse no trato com a bola. Nisto, até que exibia um arroz com feijão.
Mas era um guerreiro, sempre disposto a manter inviolado o terreno que lhe era dado defender, fosse nas laterais ou na zaga central.
Não ficava nisso. Empurrava o time pra frente e ia junto, quando o ataque não engrenava. Decidiu jogos memoráveis. Lembro-me de um deles, contra a Ponte Preta, em Bauru, pelo turno de classificação de 1957. Zero a zero, o goleiro Fernandes pegando tudo, menos a cabeçada letal do zagueiro central Pierre, a três minutos do fim.
Pierre, Mingão, Irineu Pé de Boi, Xandu, Zeola, Luiz Marini, Chocolate e outros, simbolizaram uma época. Uma homenagem do E.C. Noroeste a eles não seria apenas um ato de justiça. Seria também um gesto educativo. Para mostrar aos atletas que chegam, que o clube tem uma história. A camisa, hoje quase coberta pelo logotipo do patrocinador, simboliza uma tradição de conquistas e glórias. Vesti-la, além de um compromisso profissional, deve ser também motivo de orgulho, de que são exemplos muitos atletas do passado.
Não seria oportuno lembrar às gerações mais jovens que o Noroeste nunca foi (e não pode ser) simplesmente um Onze camisas F.C., como judiciosamente já advertia em seu saboroso livro o saudoso José Carlos Galvão de Moura? (João Francisco Tidei Lima - RG.8.671.142)