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O velho expediente de apenas tapar os buracos com piche não resolve e consome R$ 1,5 mi por ano

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 2 min

A formação de nuvens escuras no céu bauruense tem sido sinônimo da abertura de novos buracos nas ruas e avenidas da cidade há muitos anos. Apesar de ser um problema histórico, os prefeitos que têm assumido a gestão municipal nos últimos tempos têm se limitado a promover reparos paliativos no pavimento, quando a solução, segundo profissionais ouvidos pela reportagem, seria recapear toda a área comprometida.

O problema é que 86% da área pavimentada de Bauru está com o asfalto vencido, velho e fraco. E o recapeamento de toda esta extensão levaria, de acordo com estimativas da Secretaria Municipal de Obras, cerca de 11 anos para ser executado, a um custo avaliado entre R$ 50 milhões e R$ 100 milhões.

Atualmente, o Município desperdiça R$ 1,5 milhão de reais ao ano em reparos. Fala-se em desperdício porque, se as boas condições das vias tivessem sido mantidas no decorrer dos anos, a mesma verba poderia estar sendo usada na expansão de projetos, com benefício à parcela da população que permanece na fila de espera por melhorias estruturais em seus bairros.

Ao contrário, os reparos feitos diariamente servem apenas para amenizar a situação. Eles são feitos com uma técnica que não é a ideal, em um asfalto que já não tem aderência e com estimativa de durabilidade restrita. O resultado são ruas totalmente remendadas, feias, com desagradáveis oscilações, que sujeitam o motorista a ter seu veículo danificado e predispõem o pedestre a quedas e outros acidentes.

Fora isso, o município tem mais 6,5 milhões de metros quadrados de ruas de terra, cujos moradores também reivindicam pavimentação. Nestes pontos, a situação é ainda mais complexa, pois as vias não têm sequer galerias, guias ou sarjetas. Algumas ainda são desprovidas até de rede de água e esgoto.

Para contornar todos estes problemas, a Secretaria de Obras conta com uma usina de asfalto já ultrapassada e desgastada após 26 anos de funcionamento. A Prefeitura estuda a possibilidade de reformá-la, modernizando a operação - um projeto orçado em R$ 120 mil.

Evidentemente, seria utópico pensar em sanar todos os problemas numa única gestão, mas é preciso cobrar iniciativas efetivas e definitivas do poder público.

As autoridades municipais alegam que os projetos existem e garantem que não falta vontade política, mas fazem a ressalva de que a receita bauruense é restrita e insuficiente para abraçar todas as necessidades. Resta ao cidadão insistir na aprovação de uma divisão orçamentária coerente entre as pastas, que permita a implementação de idéias da maneira mais otimizada possível, com benefícios duradouros e efetivos. Se não para todos, pelo menos para a representativa maioria dos munícipes.

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