Regional

Oito fogem por túnel da Cadeia de São Carlos

Cristiane Gercina
| Tempo de leitura: 2 min

São Carlos - Oito presos fugiram da Cadeia Pública da cidade, por volta das oito horas da manhã de ontem, através de um túnel escavado em uma das celas. Logo depois, os outros detentos organizaram um início de rebelião, segundo informações do diretor da Cadeia, Edmundo Ferreira Gomes.

Gomes contou também que três dos fugitivos foram recapturados ontem mesmo, mas os outros cinco continuam foragidos. A tentativa de rebelião foi contida logo no início, após a chegada de um juiz corregedor exigido pelos presos e, depois de muitas conversas, eles resolveram voltar para as celas.

Após a fuga, houve uma revista geral na Cadeia onde foram encontrados cinco telefones celulares, alguns carregadores de celulares, estiletes e pequenas porções de maconha e cocaína.

Em apenas três meses, esta é a quarta vez que presos tentam fugir. Desde o dia 7 de dezembro de 2001, quando Gomes assumiu a direção do presídio já aconteceram três tentativas de fuga, todas elas interceptadas pela polícia.

O diretor admitiu que é possível ter acontecido alguma falha na segurança, já que o local conta apenas com quatro carcereiros fixos para realizar todos os serviços de vigilância, incluindo as revistas periódicas que são feitas de dez em dez dias.

Além dessas revistas mais rigorosas, há também uma superficial todos os dias, quando os carcereiros entram nas celas, contam os presos e verificam se tudo está em ordem. Mas mesmo assim, pode haver falhas. “De uma revista geral para outra pode-se cavar um buraco”, afirmou.

Gomes contou que os objetos apreendidos geralmente entram na Cadeia através das visitas semanais, que acontecem todas as terças e sextas-feiras. Segundo informações do diretor, na semana passada uma mulher tentou entrar com um celular na vagina.

Ele disse que em dias de visitas as revistas são rigorosas. As mulheres que entram na Cadeia para fazer visitas são obrigadas a se despirem e abaixarem e levantarem três vezes para que se possa localizar qualquer objeto escondido.

Médicos especialistas procurados pelo diretor admitiram que é possível uma mulher esconder objetos dentro de si, mesmo com os procedimentos de vistoria do presídio. De acordo com eles, a flexibilidade dos músculos da vagina é que permite isso.

Gomes informou que a Cadeia Pública de São Carlos está sofrendo com a superlotação de presos. A capacidade real é para 60 presos, mas atualmente eles estão com um número de 149 detentos.

Um outro problema apontado por ele foi o número de presos já com sentenças definidas e que continuam no local. Segundo o diretor, existem mais de quarenta pessoas nesta situação.

Gomes também considera que a falta de atividades durante o dia dos presos é um agravante para que eles pensem em fuga. “Se eu estivesse 24 horas preso sem fazer nada também pensaria em fazer buraco”.

(*) Tribuna Impressa / Especial para o JC

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