Ser

Desejo é fundamental

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 4 min

* Questões profissionais - A insatisfação no trabalho pode abalar a vida a dois de qualquer pessoa porque mexe com a auto-estima. O desemprego pode diminuir a libido porque a atenção do indivíduo se volta para a questão da sobrevivência, de ter que sustentar a família. Em ambos os casos, quando se vive esta situação, o sexo pode ser visto como uma obrigação ou até, uma chateação porque fica em segundo plano. O desafio profissional, como um novo emprego ou uma promoção, podem ser estressantes se a pessoa for insegura e também afetar sua vida sexual.

* Problemas familiares - Quando pessoas que amamos passam por situações difíceis, a tendência é sofrer junto. A solução é ajudar quando for possível e não se deixar levar por sentimentos negativos que não vão solucionar os problemas e só irão piorar a vida.

* Questões econômicas - Falta de dinheiro é um grande problema pois é difícil manter o desejo se a conta do banco está estourada e um cheque pré-datado está para cair. Também é comum casais que se desentendem sexualmente quando a mulher sustenta a casa ou, simplesmente, tem um salário maior. As pessoas, ainda é esperam, inconscientemente, que o macho desempenhe o papel de provedor, como se isso conferisse a ele um valor a mais.

* Filhos - Qualquer que seja a fase em que eles se encontram, os filhos não devem passar a ocupar um espaço que interfira na vida sexual do casal. Não se deixar consumir pelo papel de pai ou de mãe é fundamental. Também é importante estabelecer momentos só para o casal e não cometer a infantilidade de sentir ciúmes das crianças.

* Crises de auto-estima - A baixa auto-estima pode levar à incapacidade de seduzir e de sentir prazer, além de trazer dificuldades para transmitir erotismo. O melhor caminho, é buscar ajuda de um profissional.

* Crise de identidade - O casal precisa falar a mesma língua, ter os mesmos objetivos. Quando isso não acontece o desejo fica comprometido. Para que o relacionamento sobreviva à mudanças muito grandes, é preciso muita conversa e respeito pelas decisões do(a) parceiro(a).

Quando a atração acaba

É preciso ter muito cuidado na hora de tratar a questão da diferença de desejo. De acordo com o livro de Maria Helena Matarazzo, deve-se evitar discutir se o par rejeitar uma iniciativa sua. Também não é uma boa opção desconfiar que ele (ou ela) tem outra (o) e perguntar isso, o que seria um sinal de falta de confiança. Cobranças e dó (como se a pessoa estivesse doente) também não ajudam.

Na realidade, querer resolver o problema ali, na hora, pode agravar a situação. A questão pode requerer mais paciência e tempo e o diálogo aberto é sempre a melhor ferramenta para se atingir ( ou voltar a atingir) o bom relacionamento sexual. “A compreensão da não disponibilidade para o sexo de alguns dos parceiros também faz parte da vida a dois. Assim como toda pessoa possui ‘altos e baixos’, o sexo oscila de acordo com a disponibilidade de cada um”, explica a psicóloga Luciana Biem.

Sintomas de crise no sexo

As pessoas passam por fases de maior ou menor desejo sexual pelo parceiro (a) e isso não significa que não há mais sentimento ou atração sexual. Quando isso acontece, antes de pensar em razões absurdas como traição ou impotência, vale a pena perguntar-se se ambos andam:

* Fazendo tudo sempre igual - Ou seja, transformando o sexo numa atividade de rotina, sem erotismo.

* Transando num freqüência exagerada - O sexo fica sem graça e também pode acabar criando a sensação de que o tesão está terminando.

* Pensando mais no próprio prazer - Se o sexo é feito sem romantismo e envolvimento, o prazer fica comprometido pois acaba a sintonia do casal.

* Descuidando-se da relação fora da cama - Muitas pessoas se acomodam no dia-a-dia com o visual e também no comportamento. Atitudes assim sinalizam que algo vai mal no relacionamento. A convivência alimenta o desejo, é por isso é importante manter o namoro, mesmo depois de casados.

* Não tendo mais fantasias - O desejo começa na cabeça, se a pessoa não alimentar a sua criatividade e fantasias sexuais e não namorar a si mesmo(a) cuidando da sua auto-estima poderá acabar comprometendo a sua sexualidade.

* Se apaixonando por outra pessoa - Se esse for o caso, o melhor é não insistir. Enganar o parceiro e se enganar ao mesmo tempo só vai trazer sofrimento para ambos.

Fonte: “Encontros, Desencontros e Reencontros”, de Maria Helena Matarazzo, Editora Gente

Comentários

Comentários