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Do imaginário aos planetas

Mário Eugênio Saturno
| Tempo de leitura: 3 min

O sol e as estrelas sempre despertaram fascínio e temor na espécie humana. Nossos mais longínquos antepassados associaram ao sol a fonte de calor e luz, personificando-o como um deus. O céu noturno foi lentamente povoado de deidades. Com o tempo, viram que nem todas as estrelas estavam fixas, havia sete viajantes (planetas em grego). Um era o sol. Outro era a Lua, que muda a cada quatro semanas. Dois deles só são vistos próximos ao sol, no entardecer ou amanhecer. O mais rápido foi chamado pelos gregos de Hermes (Mercúrio em Latim). O segundo, o mais brilhante, assemelhava-se a uma pedra preciosa, por isso chamado de Afrodite (Vênus), a deusa do amor e da beleza. O seguinte, tem uma coloração avermelhada, associado ao sangue e à guerra, cujo deus é Ares (Marte). A seguir, vem o planeta mais brilhante do céu durante todas noites, recebeu o nome do governante dos deuses, Zeus (Júpiter). O último, era o mais lento e de brilho fosco, batizaram-no com o nome de um deus idoso, Kronos (Saturno).

Por coincidência, eram sete os planetas, sete os metais (conhecidos então) e sete os dias da semana (definido pela Lua). Assim, cada metal foi associado a um planeta: o ouro ao sol, a prata à lua, o cobre (naquele tempo raro e precioso) a Vênus, Mercúrio ao próprio (por ser líquido e de rápida movimentação), o ferro a Marte (as armas eram de ferro), o estanho a Júpiter e o chumbo a Saturno (daí a doença ser chamada saturnismo). Para os gregos (Atenienses em especial), o universo fora criado por divindades, assim era lógico supor que deveria cumprir certas regras. A Terra seria o centro do universo e todas as estrelas e planetas a orbitavam (do Latim circular). Porém, o desenvolvimento da matemática e das técnicas de observação levaram o astrônomo e padre polonês Nicolau Copérnico, em 1.543, a propor um sistema diferente: o sol seria o centro do nosso sistema planetário circundado pelos planetas (inclusive a Terra). Somente a Lua orbitaria a Terra. Copérnico imaginava que as órbitas eram círculos perfeitos. Então, em 1.609, Johannes Kepler demonstrou que as órbitas eram elipses.

Os astrônomos concluíram, após observarem muitas noites, que os planetas movem-se com velocidades diferentes em suas órbitas: mais próximos, mais rápidos. Assim, para completar uma revolução, Mercúrio tem um período de 88 dias, 224,7 para Vênus, 365,25 para a Terra, 687 para Marte, 4.332,5 para Júpiter e 10.759,3 para Saturno. Para calcular essas distâncias foi preciso imaginação. Utilizou-se a técnica da paralaxe (do grego, alteração de posição) que consistiu em observar os planetas a partir de dois pontos distantes na Terra, tendo as estrelas ao fundo. Em 1.609, Galileu construiu um telescópio, que ampliou os objetos celestes e permitiu medir com precisão as paralaxes e as distâncias dos planetas. A Terra dista do sol, em média, 149.597.870 km (esta distância é chamada de unidade astronômica ou UA). Mercúrio dista apenas 57.900.000 km, já Saturno, 1.427.000.000 Km. Essas distâncias significam muito.

A luz percorre 299.792,4562 Km/s, é a maior velocidade possível (por enquanto?). A luz que deixa o Sol atinge Mercúrio após 3,2 minutos, Vênus após 6 min, a Terra em 8,3 min, Marte em 12,7 e Saturno em 79,3. A luz não parece ser tão rápida! O próprio Galileu descobriu que Saturno possuía anéis e quatro satélites (do latim subordinados) de Júpiter (receberam os nomes de suas amadas: Io, Europa, Ganimedes e Calisto). Enquanto isso, seus opositores insistiam que as visões do telescópio eram ilusões de ótica...

Giovanni Domenico Cassini descobriu outros quatro, foram nomeados de Réia (esposa de Saturno e pai de Júpiter), Japet, Dionéia e Tetis. Seguiu-se descobertas de satélites, cometas, asteróides e dos demais planetas, fruto do trabalho paciente e perseverante dos astrônomos profissionais e amadores. Exemplos para todos nós.

(*) Mário Eugênio Saturno é professor da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Catanduva e Congregado Mariano

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