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Vidágua vai ao MP pedir o fechamento de empresa

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 2 min

O Instituto Ambiental Vidágua, após saber dos resultados preliminares dos exames para detectar a quantidade de chumbo no sangue das 60 crianças de Bauru, decidiu protocolar uma ação civil pública no Ministério Público (MP) Estadual pedindo o encerramento das atividades da fábrica de baterias Ajax. Ontem, a diretoria da Organização Não-Governamental (ONG), em entrevista à imprensa, disse que desde 1994 vem denunciando que funcionários da empresa estão sendo contaminados por chumbo.

O vereador Rodrigo de Agostinho Mendonça, que também é diretor do Vidágua, diz ter conhecimento de que o problema é grande. “Foram colhidas amostras de sangue de 30 crianças do Tangarás e 30 do Parque Jaraguá. Das 30 crianças do Tangarás, que fica perto da fábrica, 26 apresentaram contaminação por chumbo”, afirma.

Mendonça cobra das autoridades de saúde uma investigação ampla no sentido de saber o número de pessoas contaminadas e a gravidade do problema. “Não sabemos a dimensão e a forma (ar, água ou solo) que se deu a contaminação. Vamos fazer boletim de ocorrência por crime de poluição ambiental e ingressar com uma ação civil pública contra a empresa pedindo indenização para os possíveis contaminados”, frisa.

Ainda ontem, o vereador requereu ao prefeito Nilson Costa a instalação de processo administrativo para cassar o alvará de funcionamento da Acumuladores Ajax alegando que a empresa oferece risco de contaminação por chumbo. Outro fator que contribuiu para a decisão é a localização da indústria.

De acordo com José Xaides de Sampaio Alves, presidente do Vidágua, a fábrica de baterias está localizada numa área de proteção ambiental municipal, vizinha do Jardim Botânico e do Zoológico Municipal e próximo a vários bairros. Ele também lembra que o Hospital Regional, que está em fase final de construção, não fica muito distante do local.

Cláudio Kóffani Nunes, vice-presidente do Vidágua, ressalta que o objetivo da ONG não é causar pânico, mas sim conhecer a real dimensão da contaminação. Ele lembra que Bauru teve um caso grave de contaminação por chumbo, entre 1993 e 1994. Crianças da favela São Manuel, ao brincar num desmanche clandestino de baterias, acabaram contaminadas.

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