Polícia

Buraco faz a primeira vítima fatal em 2002

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

O ajudante geral Agemir Benedito Marcondes, 42 anos, morreu, na madrugada de ontem, após cair, com sua bicicleta, em um buraco na quadra 4 da rua Francisco Alves, na Vila Quággio. O acidente aconteceu anteontem à noite, quando ele retornava para sua casa, que fica na Vila Bela, a poucas quadras do local. A família de Marcondes, revoltada, diz que ingressará na Justiça com pedido de indenização. A Comissão de Direitos Humanos da Subseção Bauru da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também vai acionar o Ministério Público para que apure a responsabilidade da Prefeitura na morte .

Ontem à noite, cerca de 40 pessoas, entre moradores da rua Francisco Alves e familiares de Marcondes, fizeram um protesto no local do acidente. “Foi preciso uma pessoa morrer para que os buracos dessa rua fossem tapados. Mas e o resto da cidade? Vai ficar como está?”, questiona o vigilante Ednaldo Costa da Silva, que mora quase em frente do buraco onde Marcondes caiu.

À tarde, a Prefeitura tapou os vários buracos da rua Francisco Alves, incluindo onde o ajudante geral caiu, sofrendo traumatismo craniano. Através de nota da assessoria de imprensa, a Prefeitura lamenta o ocorrido e informa que se manifestará após as providências adotadas pela família da vítima.

Para que o salário de R$ 400,00 mensais desse para as despesas dos sete filhos dependentes e uma esposa doente, Marcondes usava a bicicleta como meio de transporte para não pagar ônibus, segundo sua filha, Nilva Aparecida Castro Oliveira. “Ele chegou do trabalho e depois foi para casa do meu irmão, no Jardim Gérson França, visitar o netinho. O acidente ocorreu quando ele estava voltando de lá, mas só ficamos sabendo hoje (ontem)”, conta.

Uma pessoa que estava no ponto de ônibus da quadra 4 da rua Francisco Alves presenciou o acidente e disse aos vizinhos que Marcondes caiu no buraco após desviar de uma cratera anterior. “Quando ele foi socorrido pelos bombeiros, já estava desmaiado”, conta Ednaldo, que guardou a bicicleta da vítima. “Essa não é a primeira bicicleta nem a primeira moto que caiu nesses buracos que guardamos em casa”, frisa. “Já estamos acostumados a presenciar acidentes. Hoje (ontem) tamparam os buracos com asfalto, mas normalmente usam terra, que sai na próxima chuva”, completa.

A família de Marcondes só soube do acidente e que ele havia morrido ontem cedo, após ser contactada pela empresa que ele trabalhava. No velório do ajudante geral, ontem à tarde, o clima era de revolta. Pai de 11 filhos, sete deles - entre 19 e 7 anos - e a esposa doente viviam com o salário de Marcondes. “Se já estava difícil, imaginem daqui para frente como será”, ressalta Nilva, uma das filhas mais velhas.

Por isso, ela e o marido, Maurício Marques de Oliveira afirmam que querem indenização pela morte de Marcondes. “Quantas pessoas vão morrer para que a Prefeitura tome providências. E se fosse com alguém da família deles (do prefeito Nilson Costa) não tomariam providências?”, questiona. O ajudante geral será enterrado hoje, às 8 horas, no Cemitério do Jardim Redentor.

Lombada ou radar

Apesar da causa do acidente que vitimou Agemir Benedito Marcondes não ter sido excesso de velocidade, moradores da quadra 4 da rua Francisco Alves pedem a instalação de lombada ou radar fixo no local. A rua é inclinada, o que leva os motoristas a passarem em alta velocidade, conta a dona de casa Elita Pereira da Silva.

Ela explica que pediu a instalação de lombada, que foi negada pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb). A assessoria de imprensa da Emdurb informa que, por critérios técnicos, o pedido foi negado. Porém, destaca que será instalado um radar fixo na quadra 3, medida de redução de velocidade definida no ano passado.

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