Regional

Polícia localiza suposta central do PCC em Ourinhos

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Ourinhos - Uma equipe do 2º Distrito Policial de Ourinhos, comandada pelo delegado Pedro Otávio Telles Nascimento, encontrou, no último fim de semana, duas centrais telefônicas que supostamente seriam usadas pela facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Embora as investigações ainda não tenham sido concluídas, Nascimento acredita numa possível ligação entre os responsáveis pelas centrais de Ourinhos e a de Bauru, descoberta anteontem pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG), no Núcleo Geisel.

Segundo o delegado de Ourinhos, toda a operação do fim de semana foi montada com base em informações de que duas residências, em bairros distintos, teriam uma grande quantidade de linhas telefônicas digitais instaladas. Em uma dessas residências havia ainda a suspeita de que seria instalado um sistema avançado de rastreamento de chamadas, conhecido como DBR.

O que mais teria chamado a atenção dos informantes da polícia foi a simplicidade das residências onde estavam as linhas. “São casas populares de apenas quatro cômodos, construídas pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU). O valor delas é menor do que o do equipamento que nós encontramos”, disse o delegado. As residências vistoriadas ficam na vila Musa e na vila Odilon.

Depois de checar as informações recebidas, Nascimento conseguiu um mandado de busca e apreensão e, na sexta-feira de manhã, com apoio da DIG, entraram nas residências e encontraram os equipamentos, considerados de última geração. De acordo com a avaliação feita pelo delegado, todo o material deve custar algo em torno de R$ 22 mil.

Parte do equipamento foi apreendido no momento em que era entregue pela empresa. “A instalação estava toda pronta, só esperando chegar os equipamentos. E eles chegaram justamente durante a diligência”, informou o delegado.

Com a central seria possível falar com seis pessoas diferentes ao mesmo tempo. Ou, de acordo com o exemplo usado por Nascimento, poderia ser usada para uma espécie de teleconferência entre seis presídios e uma pessoa do lado de fora do sistema penitenciário, sem que a polícia pudesse rastrear as ligações.

“Um dos usos mais freqüentes para equipamentos dessa tecnologia é justamente servir como rede de comunicação entre os integrantes do PCC”, afirmou o delegado. Ele lembrou ainda que o produto é o mesmo que tem sido encontrado pela polícia nas centrais telefônicas desbaratadas ultimamente, como a do Núcleo Geisel, em Bauru.

De acordo com o delegado, o responsável pela montagem da central em Ourinhos é Carlos Henrique de Freitas. Ele está foragido desde a última sexta-feira, quando foi decretada a prisão temporária dele.

Segundo Nascimento, o suspeito tem várias passagens pela polícia, desde tráfico de entorpecentes até roubo à mão armada. Freitas, de acordo com o policial, já esteve preso, fugiu e foi recapiturado. Entretanto, o delegado não soube informar em qual penitenciária Freitas teria cumprido pena.

De acordo com Nascimento, o acusado teria se utilizado de sua companheira, identificada apenas como Kelly, para comprar todo o material. Além dela, uma cunhada de nome Edna também teria ajudado Freitas na montagem da central telefônica. Ambas devem responder por co-autoria em crime de estelionato.

Na opinião do delegado, é importante que a população fique atenta a qualquer fato que possa levantar suspeitas. Segundo ele, a instalação de muitas linhas telefônicas em uma única residência ou mesmo em residências próximas pode significar que algo de errado está acontecendo e deve ser denunciado.

Apesar da suspeita de que a central poderia ser usada por membros do PCC, Nascimento disse que não descarta nenhuma outra possibilidade. “Vamos investigar todas as conecções possíveis”, revelou.

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