“O saber sem drogas†é o título provisório de um projeto desenvolvido pela Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise), que será colocado em prática em quatro escolas públicas de Bauru, inicialmente.
O objetivo do projeto é oferecer tratamento psicológico e amparo social aos alunos envolvidos com substâncias entorpecentes. Promover atividades preventivas em relação à saúde e dar suporte aos professores visando melhores condições de trabalho.
A prevenção é um dos “braços†da Dise. A atividade principal é a repressão e o combate ao narcotráfico, explica o delegado José Henrique Gomes dos Santos. “A prevenção já é feita através de outro projeto desenvolvido junto às empresas públicas. Fazemos palestras de prevenção e orientação.â€
Para desenvolver o plano “O saber sem Drogasâ€, a Dise firmou parcerias com a Instituição Toledo de Ensino (ITE), Universidade do Sagrado Coração (USC) e Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (Centrinho), da Universidade de São Paulo (USP), e Diretoria de Ensino da Região de Bauru.
As parcerias vão permitir que estagiários de várias áreas atuem no apoio e na prevenção do dependente de drogas. “Vamos orientar os professores para que eles sejam multiplicadores de informações e saibam lidar com os dependentes dentro da sala de aula, tornando o ambiente mais saudável.â€
Na prática, segundo o delegado, o projeto vai funcionar da seguinte maneira. “Os professores e diretores vão detectar o problema ou os focos do problema. As estudantes de Psicologia e de Serviço Social ficarão incumbidas de ajudar o estudante a se livrar da dependência.â€
A família do dependente também será tratada pelo projeto. “Os familiares serão orientados pelos profissionais envolvidos no trabalhoâ€, explica o delegado.
A saúde bucal e a constatação da necessidade de tratamento de possíveis doenças será um trabalho desenvolvido por profissionais do Centrinho.
Projeto piloto
Das 49 escolas estaduais existentes na cidade, quatro foram escolhidas para acolher o projeto piloto, segundo o delegado da Dise. “O plano poderá ser estendidoâ€, ressalta.
Na opinião dele, num primeiro momento, os estagiários de psicologia direcionarão o trabalho, visando conscientizar o aluno a receber e aceitar o tratamento. “Com a aceitação do aluno, poderá ser iniciado o tratamento que poderá ser desenvolvido na própria escola ou, se necessário, na universidadeâ€, preve.
Proposta abrangente
Na opinião do dirigente regional de ensino, professor Jair Sanches Vieira, a proposta da polícia Civil é abrangente e pode apresentar um resultado positivo. “O projeto é mais amplo do que uma simples palestra. Ele abrange, inclusive a família do estudanteâ€, destaca.
O professor acredita que, ainda no primeiro semestre deste ano, o projeto seja implantado nas quatro escolas escolhidas. “Das 49 escolas, quatro foram escolhidas por aglutinar, além dos alunos daquele bairro, uma população vinda de outrosâ€, afirma.
De acordo com ele, as escolas escolhidas foram; Luiz Castanho de Almeida, na Vila Falcão; Durval Guedes, no Jardim Ouro Verde; Francisco Alves Brizola, no Geisel e Walter Barreto, no Núcleo Octávio Rasi. “Indicamos essas escolas porque elas agregam uma população externa. Jovens que ficam na porta das escolasâ€, revela.
O projeto será expandido, promete o professor. “A proposta é ampliar. Vamos começar com um grupo menor e, posteriormente, vamos estender a outras escolas. As quatro escolas escolhidas é onde os professores têm mais disponibilidade para este trabalho.â€
A proposta, segundo Sanches é atingir os alunos de 5 a 8ª séries. “O Saber Sem Drogas†será desenvolvido em quatro etapas. Na primeira, os policiais civis vão orientar os professores e funcionários das escolas a detectarem o problema. Identificar o usuário de drogas.â€
Na segunda fase, os professores e funcionários vão dizer a este aluno que estão dispostos a ajudá-lo. “Vamos dizer a eles que estamos aqui e que podemos ajudá-lo.†Na terceira fase, os estagiários estarão se apresentando para a família do estudante e mostrando que há possibilidade de mudanças.†Por último, serão desenvolvidas palestras de prevenção ao uso de entorpecente.