Economia & Negócios

Protesto contra mudanças na CLT reúne cerca de 350

Rita de C. Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

O ato promovido pela subsede da Central Única dos Trabalhadores (CUT) em Bauru, para protestar contra o projeto do governo que altera o artigo 618 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), reuniu cerca de 350 pessoas. Sindicalistas, estudantes e integrantes do Movimento Sem Terra (MST) permaneceram na porta das agências bancária até o meio dia, quando as portas se abriram para o atendimento ao público.

Depois do meio-dia, os integrante do movimento se concentraram na Praça Rui Barbosa, de onde saíram em passeata pelas ruas centrais da cidade. Em frente à agência dos Correios, eles efetuaram um ato protestando contra a privatização. Em frente à Prefeitura, realizaram um ato de apoio aos servidores públicos municipais, antes de seguirem para um protesto em frente ao Fórum Federal de Bauru.

Apesar da gravidade da situação, uma vez que o trabalhador corre o risco de perder direitos adquiridos, a população não aderiu ao movimento. Muitos ignoravam a causa da manifestação, mas todos queriam reclamar que as agências bancárias não estavam abertas.

Paulo Vieira Lima, da CUT, disse que a manifestação atingiu a expectativa. “Reunimos cerca de 350 pessoas. Nenhuma agência bancária trabalhou antes do meio dia no centro da cidade. Temos gente apoiando e os descontentes, o que é natural. A paralisação tem que ser feita desta forma.”

Segundo ele, o mais importante da manifestação é transmitir para o governo o descontentamento da população com a perda dos direitos trabalhista. “A população não foi consultada. O governo está fazendo uma propaganda enganosa com o aval de uma central. Nós conseguimos que a votação deixasse de ser feita em regime de urgência, mas ela pode acontecer a qualquer momento. O Governo Federal não mostra as perdas que o trabalhador vai ter.”

Opiniões

Dervile Santos Delmontes não gostou de ter ido ao banco fazer um recebimento e encontrar a agência fechada. “Eu acho essa manifestação péssima. Vim tirar dinheiro e não posso, tenho que ficar esperando.”

Questionado sobre a perda dos direitos trabalhistas, ele mudou de idéia. “Eu não sabia que a manifestação era por essa causa. Se é por isso, acho justa. Não é direito o que o governo está fazendo, isso prejudica todo mundo.”

O aposentado José Moura aguardava a abertura de uma agência bancária e apoiou o movimento. “Eu estou do lado dos manifestantes. Não concordo com o que o governo está fazendo com o trabalhador.”

Policiamento

A Polícia Militar remanejou o efetivo designado para as atividades de policiamento normal e direcionou para aquela área da cidade, segundo o comandante da 1ª Cia, capitão Benedito Roberto Meira.” Parte do efetivo do Tático Móvel está no quartel aguardando qualquer solicitação. Se houver necessidade da intervenção deles, vamos acioná-los.”

Além do efetivo normal, segundo Meira, mais 20 PMs trabalharam na manifestação. “Nosso trabalho é de acompanhamento e não de intervenção.”

O capitão lembra que os bancos procuraram a polícia e foram orientados a permanecerem fechados até o meio dia. “Se eles optassem pela abertura no horário normal, deveriam pedir segurança.”

Principais perdas

• 13º poderá ser parcelado, abrindo uma brecha para que não seja pago

• O trabalhador pode perder o Fundo de Garantia

• A licença maternidade de 120 dias pode ser abolida

• O pai poderá perder os cinco dias de licença para cuidar do registro do filho

• Os trabalhadores poderão ser obrigados a trabalhar no sábado e domingo sem ganhar adicional por isso

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