A sede da Companhia de Seguros do Estado de São Paulo (Cosesp) localizada em Bauru deverá ser fechada até o final de abril. A informação é da assessoria de imprensa da companhia, que afirma tratar-se de uma decisão imutável. O motivo alegado é a necessidade de cortar 20% das despesas com as 17 inspetorias que a companhia coordena no Interior. Desse total, apenas quatro continuarão em funcionamento.
De acordo com a assessoria, os principais balcões de vendas dos seguros oferecidos pela Cosesp - entre rural, animal, residencial, empresarial e de automóveis - seriam os bancos Banespa e Nossa Caixa. O projeto de privatização parcial desta última instituição teria desencadeado a crise na Cosesp.
O projeto prevê a privatização de 49% da Nossa Caixa, sendo que o Estado continuaria com 51%, e serão criadas sete subsidiárias de segmentos distintos, incluindo o de seguros. O problema, segundo a assessoria, é que será criada uma nova seguradora, em lugar de continuar com a Cosesp.
Ou seja, a companhia perderá o balcão da Nossa Caixa, que representaria 20% do seu faturamento total. Diante dessa perda, para manter a empresa “saudável†a diretoria da Cosesp decidiu reduzir em 20% as despesas que têm com as 17 inspetorias existentes no Interior do Estado.
Juntas, elas teriam somado, no ano passado, resultados negativos da ordem de R$ 4 milhões, segundo a assessoria de imprensa da Cosesp. Diante disso, a decisão da diretoria foi a de manter em atividades apenas quatro inspetorias, que seriam estratégicas para a venda de seguro rural: em São José do Rio Preto, Campinas, Ribeirão Preto e Assis.
De acordo com a assessoria da companhia, a sede de Bauru teria encerrado 2001 com um faturamento tão ruim que não teria sido possível cobrir o salário do gerente. “Não havia razão para que essa inspetoria continuasse funcionandoâ€, destaca a assessoria.
Ainda não existe uma data definida para o término das atividades da Cosesp em Bauru. Contudo, a informação da assessoria de imprensa é de que isso ocorrerá até o final do próximo mês.
“Retrocessoâ€
A delegada do Sindicato dos Corretores de Seguro (Sincor-SP) em Bauru, Leilane Aparecida Strongren, diz que o fechamento da inspetoria será um retrocesso para a cidade nesse segmento.
“Como corretores, nós temos lutado cada vez mais para que Bauru se torne um pólo centralizador de companhias de seguro. Em quantidade de seguradoras, Bauru se equipara a Campinas e Ribeirão Preto. É um retrocesso a Cosesp sair daquiâ€, afirma Leilane. Segundo ela, atualmente existem 19 companhias de seguro atuando em Bauru.
Na avaliação dela, o encerramento das atividades prejudicará muitos funcionários públicos, que seriam responsáveis por grande parte dos atendimentos prestados pela companhia na cidade.
Leilane também aponta a questão do Dpvat - seguro obrigatório para proprietários de veículos automotores. Segundo ela, após o fechamento da inspetoria da Cosesp, a administração do Dpvat passará a ser feita por uma companhia particular.
“O problema é que uma seguradora particular não tem tanto interesse em prestar esse tipo de atendimento, pois precisa vender. Então, esse serviço, nos casos em que o cidadão precisar acionar o seguro do Dpvat, pode ficar prejudicadoâ€, observa a delegada do Sincor-SP.
Leilane critica o rótulo de “empresa deficitária†para a inspetoria de Bauru. Para ela, a exploração dos serviços não estaria sendo feita adequadamente, já que a Cosesp lidera a atuação em áreas como a de seguro agrícola e de animais (bovinos, eqüinos e outros).
De acordo com Leilane, a unidade local da companhia possui cinco funcionários. O destino deles ainda seria incerto, já que o fechamento de outras unidades no Interior do Estado poderia dificultar possíveis transferências.