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Redação
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‘Crítica da Razão Dialética’

Jean-Paul Sartre tinha 55 anos quando publicou “Crítica da Razão Dialética em 1960”, que agora sai no Brasil em dois volumes (“DB&A Editora”, 900 páginas, tradução de Guilherme Teixeira e introdução de Gerd Borheim). Era um homem ilustre. Desde 1938, esse então jovem “normalista” havia esquecido um romance - “A Náusea” - que lhe havia dado a fama.

Alguns anos mais tarde, em plena guerra (1943), ele nos oferece “O Ser e o Nada”, uma suma filosófica abrupta e loucamente ambiciosa, porque Sartre pretendia ultrapassar a fenomenologia de Husserl, integrando a ela não apenas a lição de Hegel e a de Heidegger, mas também o racionalismo e o voluntarismo de Descartes.

Com a Libertação da França, vem a glória. Sartre é inevitável. Tudo passa por ele. Os países anglo-saxônicos o veneram. Na França, Sartre lança uma revista, Les Temps Modernes (o “café de Flore”, o existencialismo, etc.) Publica depois uma seqüência romancesca (Os Caminhos da Liberdade), que é mal recebida, embora seja um romance magnífico.

Sartre fala. Dá sua opinião sobre tudo. Multiplica as peças de teatro. Sua inteligência é vertiginosa. Ele parece ter esquecido seu gênio filosófico para realizar uma carreira literária de “polígrafo perverso”.

E então, bruscamente, em 1960, ocorre este surpreendente e violento retorno à filosofia, com “Crítica da Razão Dialética”, 17 anos depois de “O Ser e o Nada”. Seria um novo capricho desse autor multiforme e desordenado, que passa seu tempo iniciando livros, anunciando-os e depois esquecendo-os? Infelizmente, ele nunca terminou sua poderosa “obra” romancesca “Os Caminhos da Liberdade”. Depois de “O Ser e o Nada”, Sartre anunciou uma obra “moral”. Mas não a escreveu. Ele salta do jornalismo ao teatro, do romance à crônica. Sua obra é um fabuloso canteiro de construção, eternamente inacabado. (AE)

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