No ano passado a balança comercial brasileira apresentou déficit ao longo de todo o primeiro semestre, recuperou-se no segundo semestre e acabou com um superávit de US$ 2,64 bilhões. Neste ano de 2002 as autoridades que gerenciam o nosso comércio exterior estão prevendo um saldo de US$ 5 a 6 bilhões ao longo do ano em nossas relações de trocas internacionais. Trata-se de uma possibilidade concreta se considerarmos que nos três primeiros meses deste ano já foram acumulados mais de 910 milhões de dólares de saldo na balança comercial sem que tenha começado a comercialização da supersafra de 2001/02, estimada em 103 milhões de toneladas de grãos, a maior da história em nosso País.
Com o enorme excedente de produtos agrícolas gerado pela safra recorde e o bom desempenho da pecuária, o ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, espera um superávit de US$ 21 bilhões do setor de agronegócios, que compreende grãos, carnes bovina, suína e de aves, um desempenho 10% superior aos US$ 19 bilhões alcançados no ano passado. Como se vê, se dependesse da agropecuária, a balança comercial do Brasil seria altamente superavitária, o que reduziria enormemente a vulnerabilidade e o risco-país no exterior, favorecendo a queda dos juros, tanto na captação de recursos no mercado internacional quanto no mercado interno, apesar do protecionismo dos países ricos que provoca um prejuízo de cerca de 12 bilhões de dólares ao comércio internacional do Brasil.
Se no setor de agronegócios as coisas vão bem, nos setores de serviços e da indústria temos vários problemas para exportar, entre eles um dos mais lembrados é o chamado “Custo Brasilâ€, gerado pelo nosso sistema tributário cheio de impostos que incidem em cascata. Com eles os produtos da indústria ficam mais caros e perdem a competitividade no mercado mundial, sem falar na nossa produtividade que não é lá essas coisas. O governo tem prometido acabar com os impostos em cascata mas tem ficado só na promessa. Na prática, além de não acabar com tais tributos, vive aumentando as alíquotas desses impostos cobrados na forma de contribuições. Basta lembrar os aumentos das alíquotas da Cofins, CPMF e CSLL.
Neste momento, está para entrar em discussão no Congresso uma modificação no sistema de cobrança do PIS. O governo está prometendo retirar o efeito cascata de sua cobrança, hoje feita sobre o faturamento em todas etapas da cadeia produtiva. No futuro o PIS só seria cobrado sobre o valor agregado durante o processo de fabricação dos produtos, mas a alíquota passaria dos atuais 0,65% para 1,65%. Perceberam o bote? Ainda bem que temos a lavoura para nos salvar.
David Torres - presidente