Um trágico acidente acabou com a morte de um menino de 10 anos dentro de um ônibus escolar em Bauru no final da tarde de ontem. Renan Marcos Godoy Macagnan, aluno da 5.ª série da escola estadual Rodrigues de Abreu, colocou a cabeça para fora do veículo através da janela quando o motorista dava a partida, prensando-a contra um poste da iluminação pública. Ele morreu logo após dar entrada no Pronto-Atendimento Infantil (PAI).
O motorista do ônibus escolar, José Carlos Colácio, 42 anos, conta que pediu para as cerca de dez crianças sentarem-se antes de dar a partida no veículo. “Eles estavam em pé e alguns com a cabeça para fora da janela. Eu pedi para sentarem-se e eles sentaram. Só percebi o acidente quando ouviu os gritos das crianças e um ônibus que estava atrás buzinouâ€, explica. O acidente aconteceu em frente à escola, na quadra 12 da rua Virgílio Malta.
Não havia ajudante no ônibus escolar, que pertence à empresa José Brambilla, contratada pela Prefeitura para fazer o transporte de alunos da rede pública que moram longe de onde estudam. A irmã de Renan, que também estava no ônibus, disse ao professor Joaquim Nascimento Noronha, da escola Rodrigues de Abreu, que seu irmão colocou a cabeça para fora da janela para dar tchau a um amigo que estava na calçada.
De acordo com policiais militares da 4.ª Cia, que atenderam a ocorrência, o veículo, que estava estacionado em frente à escola, movimentou-se poucos metros. Mesmo assim, o impacto da cabeça de Renan com o poste foi muito forte. No banco ocupado pelo menino, o último, ficou uma poça de sangue.
Colácio, que dirigia o ônibus escolar placas BWB 9340, de Bauru, havia terminado de pegar um grupo de alunos da escola Rodrigues de Abreu que estudam à tarde para levá-los de volta às suas casas. Após pedir para as crianças sentarem-se, ele preocupou-se com o fluxo de trânsito da rua, para poder sair da baia de estacionamento.
O motorista ressalta que é comum as crianças colocarem a cabeça para fora da janela. “Isso acontece sempre. A gente tem que pedir para eles sentarem-seâ€, frisa. Segundo ele, é difícil fazer as crianças obedecerem às ordens do motorista, o que poderia ter evitado o acidente.
Já na opinião do professor Joaquim, os ônibus escolares precisam de mais segurança. “Deveria ter uma tela nas janelas para evitar que as crianças coloquem a cabeça e parte do corpo para fora do ônibus. Se até adulto faz essa loucura - e tenho visto isso sempre - imagine criançaâ€, diz.
Renan morava no Parque Real e era considerado um bom aluno. “Era um estudante de razoável para bom. Não tínhamos problemas com eleâ€, conta o professor Joaquim. Após o acidente, as crianças que estavam no ônibus foram conduzidas de volta para a escola e depois retornaram para suas casas em outro veículo. Renan foi socorrido ao PAI por uma ambulância da Prefeitura.
Luto
Hoje, a escola Rodrigues de Abreu estará fechada, sem aulas nos três períodos, em luto pela morte de Renan. Jacy Amantéa, diretora da escola, conta que a decisão foi tomada pelos professores, para que todos aqueles que queiram possam acompanhar o velório do estudante. O corpo será velado na sala da Organização Terra Branca, que fica na quadra 1 da rua Campos Sales.
Jacy aproveita para avisar que as aulas programadas para hoje serão repostas em data a ser marcada. O aviso de luto no dia de hoje foi afixado no portão da escola.
Sem culpa
Na opinião do representante da Empresa de Ônibus José Brambilla, Hélsio Bíscaro, o motorista do veículo que transportava os alunos da escola estadual Rodrigues de Abreu não teve culpa do acidente que vitimou uma criança.
“Não foi falha da empresa, muito menos do motoristaâ€, afirma. Bíscaro explica que o motorista não dá a partida do veículo enquanto não estiverem todos os estudantes sentados. Ele conta, baseado em depoimentos de testemunhas, que o menino estaria sentado no banco e, no momento da partida, levantou-se e colocou a cabeça para fora da janela para dar tchau para alguém.
Neste instante, o motorista estaria olhando no retrovisor do lado contrário do estudante para checar o movimento de veículos na pista, certificando-se de que poderia iniciar o trajeto. “O que aconteceu foi uma fatalidadeâ€, acredita.
Apesar de não saber informar detalhes técnicos, o representante afirma que, assim como os veículos que fazem o transporte escolar particular, todos os ônibus da Brambilla passam por fiscalização semestral em que são checados trava para abertura de vidros e cinto de segurança, entre outros itens.
“O vidro tem uma trava. Por isso o menino colocou apenas a cabeça para fora do ônibus. A cabeça de uma criança passa, mas o corpo não passariaâ€, afirma o representante da empresa.
Quanto à presença de um auxiliar do motorista para monitorar as crianças, Bíscaro explica que os profissionais são dispensados no transporte de crianças maiores de 8 anos. “Quando trata-se de menores de oito anos ou crianças da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), nós colocamos auxiliarâ€, expõe. (TS)