Iaras - Três integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) que estavam presos na Cadeia Pública de Cerqueira César foram soltos na tarde de ontem. O Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo acolheu o pedido de habeas-corpus, que permite aos sem-terra aguardar julgamento em liberdade.
Miguel da Luz Serpa, 41 anos, José Carlos Pio, 48 anos, e Daniel Costa de Albuquerque, 31 anos, considerados líderes do acampamento Zumbi dos Palmares, em Iaras, foram presos sob acusação de formação de quadrilha, porte ilegal de arma e tentativa de homicídio.
De acordo com Rosildo dos Santos, integrante da Coordenação Estadual do MST, o TJ se decidiu em favor dos sem-terra baseado na falta de provas e em contradições da acusação.
Desde a prisão dos sem-terra, em janeiro, comissões de Diretos Humanos de várias entidades vêm tentando provar que as prisões tiveram motivação política.
“Na verdade, existe uma série de irregularidades no processo. Desde a prisão em si, que foi feita na madrugada, sem nenhum mandado de busca e apreensãoâ€, afirma Santos.
Apesar da libertação de ontem, Gonçalo Lauriano dos Santos, 36 anos, mais conhecido como Índio, continua preso na Cadeia Pública de Piraju. Ele havia sido preso no mesmo dia que os demais, mas seu processo corre separadamente.
Em Bauru, membros da Central Única dos Trabalhadores (CUT), da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), da Pastoral da Terra e de outros sindicatos devem partir hoje em caravana até Iaras .
Segundo uma das responsáveis pela caravana, a intenção é dar “boas vindas†aos sem-terra soltos. A saída está prevista para as 9h, em frente à sede da CUT.