Nas últimas décadas, a Medicina e outras ciências acumularam conhecimentos suficientes para conseguir a cura de vários tipos de câncer, desde que descobertos no início e tratados adequadamente. Entretanto, a alta incidência dessa doença e a irreversibilidade dos casos avançados fazem com que o câncer continue sendo um estigma para a humanidade e, para muitos, um tabu.
A primeira causa desse tabu é, sem dúvida, a falta de informação. Muita gente ainda acredita que o câncer não tem cura. Isto gera uma atitude fatalista e leva a pessoa a pensar que vai morrer de qualquer maneira. Essa atitude de fuga, resultante do desconhecimento e do medo, leva a pessoa a evitar saber se tem ou não algum tipo de doença maligna em estado inicial, quando as possibilidades de cura são maiores.
A outra causa que explica tanto o desconhecimento de novas realidades médicas quanto o sentimento de fatalismo em relação à doença, é a reduzida preocupação das pessoas com as práticas preventivas de saúde.
No caso da mulher, os dois tipos de câncer mais freqüentes são o de colo uterino e o de mama. Juntos, eles constituem as duas primeiras causas de morte por câncer entre as mulheres brasileiras. Mas ambos podem ser perfeitamente diagnosticados e tratados.
Embora haja em praticamente todas as regiões do País oportunidades de diagnóstico e de tratamento eficiente do câncer, a doença ainda está longe de poder ser considerada sob controle. Ainda hoje, a maioria das mulheres ou desconhece essas oportunidades ou não sabe como chegar a elas.
O controle sobre o câncer ginecológico exige uma participação estreita da mulher. É importante que ela esteja atenta, a fim de perceber os sintomas iniciais, e disposta a buscar periodicamente os serviços de saúde. Para isso, a mulher precisa ter um mínimo de conhecimentos sobre as formas de combater a doença e, tendo estes conhecimentos, saber usufruir adequadamente dos recursos disponíveis. Assim, mais raramente elas serão portadoras de qualquer tipo de câncer ginecológico e, no caso de apresentarem a doença, terão uma enorme oportunidade de curar-se sem seqüelas.
Em Bauru, tivemos a felicidade de realizar um antigo sonho. Já está em funcionamento, na Maternidade Santa Isabel, o Instituto de Câncer de Mama. Trata-se de uma obra de grande alcance social, inaugurada oficialmente pelo governador Geraldo Alckmin. Com ela, as mulheres de Bauru e região estão vivendo uma nova realidade, pois estão tendo a oportunidade de realizar gratuitamente o diagnóstico precoce que, sem dúvida, salvará muitas vidas.
O Instituto de Câncer de Mama é um dos pilares da concepção da promoção da saúde pública de qualidade, com o objetivo de estimular o senso de responsabilidade da mulher tanto por sua própria saúde como a da comunidade na luta constante contra o câncer. (O autor, Pedro Tobias, é médico ginecologista e mastologista e deputado estadual)