Tribuna do Leitor

O MUNDO FICOU MENOR

José Carlos Dias da Silva
| Tempo de leitura: 3 min

Os alfabetos utilizados por qualquer povo, sejam letras como estas ou hieróglifos são meros símbolos, e, mesmo as palavras como a música não passam de símbolos transformados em sons.

A globalização e a cibernética nos dão a impressão, pela quase instantaneidade da comunicação, de que o mundo ficou menor. Esta instantaneidade nos leva a concluir, enganosamente, que as pessoas mais idosas já não conseguem se atualizar com a mesma rapidez das mais jovens. Preconceituosamente, o idoso cujo enfoque sobre a vida é diferenciado, passa a ser marginalizado. Não nos esqueçamos que a vida como vida não mudou. Ela continua sendo a conseqüência primeira da eternidade; pois, não havendo vida, não haverá eternidade e as necessidades básicas para a eclosão e manutenção de ambas permanecem inalteradas.

Não existe diferença entre o ato do homem primitivo, o atual e o de daqui a 20 mil anos, diante de um braseiro assando um pedaço de carne. Ainda que esse braseiro seja movido a energia estelar e a carne sintética, pois o que se objetiva é saciar a fome que existiu, existe e sempre existirá.

Ontem, a fogueira lançando nas paredes da caverna um jogo de luz e sombra servia de pano de fundo para que o caçador, encenando um balé fantástico expusesse todas as peripécias da caçada cuja caça ali estava sobre as brasas. Imagine aquela assembléia estarrecida, hipnotizada sob o jogo de luz e sombras, mormente os adolescentes, que procuram emitir cada ato, cada nuance daquela experiência. Hoje, a televisão tem o mesmo condão. Duvida! Apague a luz, deixe apenas o aparelho ligado, observe as expressões fisionômicas dos que estão assistindo.

A vida é um acumular de experiência. Se uma pessoa idosa não tem aptidão para operar um computador ou se é mais lenta para assimilar uma informação não significa que ela não seja atualizada, pois a idade não é apenas o tempo que passa, mas antes a soma das experiências vividas que, quando transmitidas, muitas vezes não são compreendidas pelos que preferem marginalizar a pensar!

Façamos um exercício mental perguntando quando realmente começamos a existir como pessoa: terá sido no instante da concepção ou no momento do nascimento?

Se quem nos gerou, no dia do ato que nos deu a vida o tivesse impedido, onde estaríamos agora, existiríamos? Se em uma segunda oportunidade fôssemos aceitos seríamos os mesmos, teríamos sexos diferentes do da primeira concepção? O relacionamento sexual não é apenas um ato de prazer; mas, antes de tudo, uma responsável explosão de amor!

Quando Erich Fromm diz que a sociedade está doente expressa uma verdade. Estamos deixando de pensar, de aproveitar a experiência acumulada por aqueles de mais idade. Estamos dialogando através de clichês e vivendo de rótulos.

Cultive o ato de pensar. Imagine-se diante da pessoa amada. Pense cada palavra que irá dizer a ela, pesando cada sentimento, sentindo a pessoa amada o tempo todo próxima de você, sinta seu respirar, o pulsar de seu coração, sua mão segurando ternamente a mão dela, seus lábios nos lábios dela. Poderá você dizer: "Isso é imaginação!" Direi eu: "imaginar não é criar, não é pensar?" Muitos se deixam levar pelos vícios por não exercitarem a capacidade de imaginar, criar saídas para as situações que estão vivenciando.

A vida vale pelo que se cria no coração. Pense. Não tenha medo de ser feliz. A vida não nos apresenta problemas. Ela sempre nos reserva uma lição de vida que nos auxiliará no desenvolvimento pessoal.

Por oportuno, fiz esta carta imaginando você conversando tudo isso comigo e como foi agradável esse nosso rápido encontro. (José Carlos Dias da Silva - RG: 2.252.100)

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