Política

Fábrica da Ajax tem 28 ações para ser liberada

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 2 min

Uma audiência pública realizada ontem na Câmara Municipal de Bauru expôs a gravidade do caso de contaminação por chumbo no setor de metalurgia da empresa Ajax na cidade. O gerente da Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental Básico (Cetesb), Rogério Chini, deixou claro que a desinterdição só será discutida após a empresa cumprir todas as 28 exigências técnicas e ambientais emitidas em laudo do órgão. Um dos itens condiciona a avaliação a um plano de recuperação total das áreas contaminadas, internas e externas à empresa, abrangendo solo, águas superficiais, subterrâneas e vegetações.

A direção da empresa de baterias prometeu tomar todas as providências. Apenas um setor da indústria foi atingido pela interdição, o que obrigou o remanejamento de cerca de 100 funcionários para um total de 1.100 empregados. O comando da indústria participou da audiência pública de ontem visando buscar mecanismos para a liberação do setor afetado. Contudo, Rogério Chini descartou a possibilidade de liberação sem que todas as medidas elencadas em laudo tenham sido tomadas.

A Cetesb disse, ainda, que sequer recebeu os projetos para a execução dos programas de eliminação da contaminação por chumbo. “quem interdita e libera é o secretário estadual do Meio Ambiente. O processo foi desenvolvido em dois anos e é traumático. Sem cumprir os 28 pontos mencionados no laudo técnico não há nem como iniciar o processo de análise para a liberação do funcionamento do setor atingido. A desinterdição envolve várias obras físicas e também a recuperação da área degradada”, advertiu.

Emprego e saúde

Os representantes da área sindical, da Delegacia e do Ministério Público do Trabalho foram enfáticos na exigência de segurança contra a contaminação como condição para que a Ajax possa voltar a operar no setor de metalurgia. A área de produção de baterias novas, localizada no Distrito Industrial, não foi atingida pelo descumprimento da legislação ambiental. Na metalurgia, a Ajax separa plástico e chumbo para comercialização a partir da reciclagem de baterias sem condições de uso. O processo responde por 90% da matéria-prima utilizada pela marca.

O subdelegado do Trabalho, Sérgio Branco, historiou o acompanhamento do problema deste 1995, quando a doença por contaminação por chumbo (saturnismo) atingiu a cidade. “Não tínhamos tecnologia para direcionar as ações na época e passamos a estudar o assunto desde então. Nós desejamos preservar os empregos mas temos que preservar a segurança das pessoas, a saúde”, discursou.

Cândido Augusto Gonçalves, do Sindicato dos Metalúrgicos, reiterou o raciocínio da Delegacia do Trabalho. “Queremos as vagas de emprego mantidas, mas queremos o compromisso da empresa em eliminar os focos de contaminação e recuperar o que foi degradado”, completou. O secretário municipal do Meio Ambiente, Luiz Pires, criticou duramente a falta de medidas pela empresa para contornar reclamações levantadas há vários meses. Ele advertiu para a necessidade urgente de análise das condições do solo pela Cetesb. Para ele, há risco na demora desta providência.

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