Saúde

Associações lutam para sobreviver

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 4 min

As associações de auto-ajuda são criadas, normalmente, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida e o sofrimento tanto dos portadores de doenças quanto de parentes e amigos com os quais eles convivem. O problema é que elas enfrentam muitas dificuldades para se manter. Algumas recebem uma verba municipal ou até estadual e federal, mas a quantia, quando existe, é insignificante. Para que o apoio aos doentes continue, as entidades apelam para a contribuição da população.

A maior fatia de recursos para a sobrevivência dessas entidades já chega por parte da comunidade, mas muitas vezes, ainda não é suficiente. As associações, casas de apoio, enfim, qualquer tipo de entidade filantrópica chegam a desgastar a sociedade em busca de ajuda, mas se elas não trabalharem nesse sentido, seus assistidos e até os dependentes deles ficam sem apoio e podem sofrer sérias conseqüências.

As doenças acabam formando uma rede de solidariedade que conta não só com a ajuda financeira, mas também com o trabalho voluntário de pessoas que doam seu tempo e esforço físico para colaborar.

A área da saúde é apontada como a que mais possui entidades filantrópicas em busca de ajuda. Calcula-se que 60% das associações cuidam de doentes.

Um tratamento, para qualquer tipo de doença, sempre é muito caro e, sem a ajuda do Governo, torna-se difícil manter milhares de pessoas que não têm condições financeiras de comprar remédios e alimentos, já que muitas vezes são obrigadas a parar de trabalhar em função da gravidade do estado de saúde.

Além de apoio com medicamentos, as entidades oferecem ajuda psicológica, outro ponto chave para quem tem alguma doença grave.

Combate

A Associação Bauruense de Combate ao Câncer é pioneira nesse trabalho. Ela foi fundada em junho de 1981 pela Rede Feminina de Combate ao Câncer. Atualmente, tem 249 pacientes e recebe uma verba da Prefeitura Municipal de R$ 942,00.

A Associação oferece todo o medicamento aos seus pacientes, além de perucas e orientação para as famílias. A entidade conta com voluntariado e pretende implantar o sistema de mensalistas para angariar mais fundos, com o intuito de continuar recebendo novos pacientes. Eles não tratam apenas pessoas de de Bauru, atendem qualquer doente com câncer que os procuram e necessita de ajuda.

O garoto Aloízio Scudeller Júnior, 11 anos, tem câncer na visão e é atendido pela Associação desde 1994. Ele conta que, além de remédios para dor de cabeça que tem com freqüência, também recebe cesta básica e passes de ônibus para se locomover. “As pessoas daqui são muito boas para mim. Me sinto amado”, diz.

De acordo com a presidente da Associação, Lyenne Berriel Cardoso, se as entidades fecharem, a saúde vira um caos. “Se todos fizerem um pouco, estarão cumprindo com seu papel diante da sociedade e nos ajudando a seguir cumprindo nosso objetivo de colaborar com os doentes. Precisamos da comunidade”, diz.

Outras entidades

A Associação dos Diabéticos de Bauru, criada em 1982, e a Associação Bauruense de Apoio e Assistência ao Renal Crônico (Abrec), fundada em 1994, trabalham com o objetivo de orientar seus pacientes e familiares. Elas contam com uma auxílio médico e voluntários que esclarecem sobre as doenças e ajudam no tratamento.

Como uma família

O motorista aposentado Jesus Valério dos Santos, 58 anos, há sete meses faz tratamento de câncer de intestino. Ele recebe acompanhamento da Associação Bauruense de Combate ao Câncer. Para o aposentado, os funcionários da entidade são sua família.

Ele conta que é separado e tem 11 filhos, mas nenhum deles o ajuda. “Minha família não cuida de mim como as meninas aqui da Associação. Isso aqui para mim é uma maravilha”, diz.

Santos recebe os medicamentos que necessita e, sempre que possível, é ajudado também com vestuário e alimentação, além de ter auxílio psicológico e assistencial. “Depois que conheci esse pessoal fiquei feliz. Eles cuidam de mim, não me deixam faltar nada. Eu estou em casa. A gente tendo qualquer problema, eles correm, ajudam. Se não existisse isso aqui, não sei o que seria de mim”, afirma.

Morador do Núcleo José Regino, ele conta que todas as semanas vai até a sede da entidade. “Eu venho aqui e me sinto muito bem. Esse é um trabalho bom e sério. As pessoas que podem, deveriam ajudar mais essa casa para que esse trabalho não acabe nunca. Se isso aqui acabar, que vai ser da gente?”, diz.

Santos, que recebe R$ 375,00 de aposentadoria, salienta que está muito satisfeito com o trabalho realizado pela entidade. “Se eu precisar de um sapato, eles me dão. E não é só para mim não, é para todo mundo. Eu venho sempre aqui. Ai delas se me abandonarem. Eu choro.”

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