Tribuna do Leitor

A POLÍTICA E O PODER

Tito Pereira
| Tempo de leitura: 3 min

A política, que na visão dos grandes pensadores é, juntamente com a lógica, a ética, a estética e a metafísica, um dos cinco campos de estudo e discurso do conhecimento, sempre esteve ligada intimamente ao poder. Nesse sentido, traçaremos sua trajetória na literatura através dos tempos

Na idade antiga buscou implantar “a república”, a arte da oratória e, “a ética e a política”, um viés de investigação científica. Na Itália dos Médicis e outros mais, rompeu tradições ao idealizar “o príncipe” de seus sonhos, ideário maquiavélico de utopia e realidade, que com “os ensaios”, transformou-se na essência absoluta da atual Política Clássica. Na transmutação como monstro bíblico de boa índole, foi “o leviatã” (o Estado absoluto), na proteção dos peixinhos contra os tubarões, ou seja, a legitimação racional da obediência do indivíduo ao Estado.

Já na idade moderna esteve presente no “tratado sobre a natureza humana”, que recebeu como companhia, revolucionária por sinal, “do espírito das leis” e do “século de Luiz XIV” que haveriam de influenciar os “pensamentos acerca da interpretação da natureza”. No campo das idéias, tomou corpo sublime com a elaboração “do contrato social”, ou seja, “princípios do direito político”.

Numa visão diferenciada da metafísica, não busca como a filosofia primeira, “a crítica da razão pura”, a epistemologia do ser enquanto ser – ela, a política, pesquisa segmentos do ser. Para tal, preocupa-se com o indivíduo em sociedade, elaborando códigos “dos delitos e das penas”. Já, na luta pelo “senso comum” e defesa dos “direitos do homem”, com ideário revolucionário, viu surgir o país norte-americano, queda da bastilha e fim da monarquia francesa. Na seqüência à época do iluminismo das idéias, explode “a era das revoluções”: francesa, industrial e a do proletariado e, “o capital” como potência social, toma forma através da superestrutura do “manifesto comunista” gerando convulsões e mobilização social. Tratados sobre hegemonia foram elaborados em prisões e “cadernos do cárcere” idealiza o intelectual orgânico, mentor e intérprete de alternativa do novo agente social: “o homem em evolução”, que com a queda do muro de Berlim, adentra na “era dos extremos”, apreensivo com “o choque do futuro, mas consciente de suas potencialidades de obstar “a grande ruptura”e “o fim da história” da humanidade.

Nessa caminhada, observamos que, conceitualmente, autoridade e poder nem sempre se equivalem, por sinal, se para Max Weber (1864-1920), no conceito de “economia e sociedade”, o poder é “a probabilidade de estar um indivíduo, dentro de uma relação social, em condições de exercer a sua vontade, apesar de uma eventual resistência, independentemente das bases em que se situa essa probabilidade”, o poder político, em contraste com as outras espécies de poder, refere-se a todas as decisões concernentes à ordem social estabelecida. Citaremos “globalização e integração regional: atitudes sindicais e impactos sociais”, como um exemplo da materialização do poder político na formulação do Mercosul.

Um eminente cientista político, professor de Política Clássica e de Relações Internacionais e grande intelectual brasileiro, define que: “Política é Poder!” (Tito Pereira - CRO/DF - 546)

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