Refletir sobre o tema e desmistificar a adoção através de estudos científicos é essa a preocupação dos participantes da 2.ª Jornada de Adoção e Prevenção do Abandono de Bauru, que teve início na tarde de ontem e será realizada durante todo o dia de hoje na Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB). O evento conta com minicursos que vão tratar da importância da constituição de uma família para adotados e do problema social causado por mães que abandonam seus filhos. Em Bauru, 180 esperam por pais adotivos.
A programação de hoje começa às 8h, também na FOB, com mesas-redondas com psicólogos, fonoaudiólogos, professores, psicanalistas e arte-educadores de diversas regiões do Estado. Às 19h30, o psicólogo Luiz Schettini Filho, professor da Universidade Federal do Recife, vai falar sobre o desenvolvimento da criança adotiva e às 13h30 haverá lançamento de livros sobre adoção. O encerramento está marcado para as 18h.
Participaram da abertura oficial o juiz da Vara da Infância e Juventude de Bauru, Ubirajara Maintinguer, o superintendente do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais, o Centrinho, da Universidade de São Paulo (USP), José Alberto de Souza Freitas, que homenagearam o ex-reitor da universidade, Miguel Reale, 93 anos, que incentivou a criação do Centrinho, em 1967.
Desarmamento
Segundo uma das organizadoras do evento, a psicóloga judiciária Silvia Rabello Lemos, a jornada objetiva aumentar o número de adoções construindo lares que ofereçam uma estrutura familiar de qualidade.
Ela aponta que hoje a burocracia na hora de adotar uma criança ou um adolescente diminuiu bastante. Agora, o que se tenta instituir, principalmente em Bauru, é uma rede de apoio aos pais que queiram receber uma criança como filho.
“Quando um casal nos procura, muitas vezes já chegam armados de uma série de restrições. Isso é preciso ser eliminadoâ€, comenta Silvia. Por isso, o Fórum de Bauru possui uma equipe com 12 assistentes sociais e dez psicólogos que utilizam-se de procedimentos técnicos e científicos para a seleção e cadastramento de pretendentes à adoção. Eles também são os responsáveis ao mesmo tempo pelas ações de destituição do pátrio poder e colocação em família substituta.
“Todo esse trabalho, prioriza a criança envolvida no processo. Muitos pais acreditam que a criança precisa se moldar à família que a acolheu imediatamente e não é assim. O processo exige tempo, carinho e cuidados dos dois lados, principalmente dos paisâ€, afirma.
Atualmente, existem em Bauru 180 crianças abrigadas provisoriamente na Sociedade Beneficente Cristã, que são atendidas por dois técnicos. A psicóloga aponta que este quadro é grave, pois a estrutura não tem condições de atendê-los permanentemente.
“Adoção não é bicho-de-sete-cabeçasâ€, desabafa Silvia Rabello revelando que ao menos o número de casais interessados em adotar uma criança tem aumentado em Bauru. Mas ao mesmo tempo ainda persiste a busca por um bebê, recém-nascido e branco. A situação só muda quando um casal que já tem filhos adotivos resolve adotar outra criança, o que prova que adoção é um processo de amor e solidariedade perfeitamente viável.
“A rejeição por uma das partes só ocorre quando não se foi preparado o suficiente para receber um novo membro na famíliaâ€.
A jornada é uma realização do Fórum de Bauru em parceria com o Centrinho e a Fundação para o Estudo e Tratamento das Deformidades Craniofaciais (Funcraf) e está aberta a todos os interessados.
Serviço
Mais informações sobre inscrições pelo telefone (14) 232-1855, ramais 246 ou 256.