Economia & Negócios

EAD ajuda na formação do trabalhador

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 3 min

O conceito de Ensino à Distância (EAD) não é novo. Surgiu, aproximadamente, na primeira metade do século passado, na Europa, com os primeiros cursos por correspondência e foi se desenvolvendo conforme foram surgindo novas formas de transmissão de informação. Apesar disso, até hoje o ensino à distância nunca teve explorado todo o seu potencial que, na atualidade, vem aumentando a cada dia com o avanço da tecnologia. Através do uso de computadores, vídeo e Internet, o ensino à distância pode colaborar muito com a formação dos trabalhadores de todos os setores.

Na prática, porém, ainda são poucas as empresas que utilizam o método para aprimorar a capacidade dos seus funcionários (leia no boxe o exemplo positivo da Caixa Econômica Federal). As próprias universidades brasileiras ainda estão engatinhando no uso na EAD. “Existem poucas universidades trabalhando com isso em São Paulo e no Sul”, afirma o professor do Departamento de Educação da Faculdade de Ciências da Unesp - Bauru, José Mizael do Vale.

Uma das melhores experiências no setor, segundo ele, tem sido da Unirede, um consórcio de universidades públicas com o objetivo de incrementar o estudo à distância, capitaneado pela Universidade de Brasília (UB). “Eles têm um projeto de tevê na escola que é um programa de estudo à distância para estimular a educação através dos multimeios”, diz Vale.

Na opinião do professor, a educação à distância é muito importante porque pode ampliar as habilidades e os conhecimentos das pessoas sem que elas tenham que sair do lugar, o que se tornou mais fácil com os meios eletrônicos. A tecnologia possibilita que hoje uma palestra realizada em qualquer lugar do País, ou do mundo, possa ser acompanhada dentro de uma empresa bem equipada. Através do uso do vídeo e da comunicação via satélite, aulas podem ser dadas à distância. Sem falar na Internet, onde as informações são trocadas em tempo real, mais uma vez, de qualquer ponto do planeta.

Vale lembrar que, o Movimento de Educação de Base (MEB), criado por bispos do nordeste brasileiro na década de 60 para a divulgação de programas educativos através do rádio e, mais tarde, o Telecurso - que ainda está no ar, são bons exemplos de como o conceito de EAD pode ser positivo. O professor salienta, porém, que hoje a tecnologia trouxe uma vantagem que o rádio e a televisão não tinham, a interatividade, que pode ser conseguida com maior êxito na videoconferência.

Para o professor Dino Magnoni, do Departamento de Comunicação da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (FAAC) da Unesp - Bauru, a educação à distância deve servir como uma educação continuada, para a atualização e complementação profissional, mas nunca para substituir um ensino presencial. “Achar que vai se substituir a escola e os professores por um sistema de conferências e videoconferências é cair dentro de um discurso de racionalização que não faz sentido”, diz.

Para Magnoni, quanto mais o ensino à distância se popularizar, melhor será para o trabalhador que precisa estar sempre se requalificando para não perder a competitividade no mercado de trabalho. “Se existir um sistema, passa a ser uma alternativa a mais para que ele entre em contato com essas informações da maneira mais fácil”, explica.

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