• Antidepressivos x obesidade
A relação entre os antidepressivos e a obesidade não é tão direta, segundo a visão de Adriano Segal, coordenador do Ambulatório de Obesidade do Instituto de Psiquiatra do Hospital das Clínicas.
â€œÉ verdade que esse tipo de medicamento pode provocar aumento de peso, mas não sempre a obesidade. Há um pequeno ganho de peso, mas isso é contornável em consultório. Alguns pacientes abandonam o tratamento por esse motivo, o que é totalmente erradoâ€, explica ele.
Para ele a situação é apenas uma conseqüência da superespecialização da medicina. “Os profissionais prestam mais atenção naquilo em que são especialistas. O psiquiatra vai prestar menos atenção na obesidade, assim como o endocrinologista prestará menos atenção no quadro psiquiátrico. Isso é uma conseqüência não muito boa, mas que ocorre: atentar mais para a especialização, deixando muitas vezes coisas importantes passarem.â€
Pesquisa mostram que 30% da população mundial tem um excesso de peso que é clinicamente significativo, ou seja, pode trazer danos à saúde. Nos Estados Unidos a obesidade está crescendo brutalmente entre as crianças. “Nos próximos 20 anos teremos 40% da população mundial sofrendo com a obesidade, uma doença cara de se tratar, tanto para o sistema público de saúde, quanto para o indivíduo.â€
Quem acredita que obesidade é perfeitamente evitável está enganado. “Essa não é uma doença tão fácil de se evitar. Observe: as comidas mais baratas são as calóricas, há uma diminuição das atividades físicas na vida dos indivíduos, entre outros fatores. É preciso uma campanha muito séria de educação e de prevenção nesse sentidoâ€, alerta o psiquiatra. Além da sensibilização, o projeto visa orientar os especialistas e médicos em geral sobre a importância da atividade física, uso de medicação, tratamentos cirúrgicos e novas técnicas que podem ser usadas e não apresentam tantos efeitos colaterais. “Entre as substâncias novas estão o Orlistat e a Sibutramina, as mais recentes no mercado da antiobesidade. Elas são diferentes das disponíveis, mais seguras e com eficácia adequadaâ€, explica, comentando também sobre tratamentos e medicações que ainda estão em estudo. “Vem coisa nova por aí.â€