Política

Para Alckmin, polícia está motivada

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 5 min

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) está confiante na recuperação da imagem das Polícias Militar e Civil do Estado, foco de críticas por parte de seus opositores. Ontem, em Bauru, ele entregou as chaves de 77 viaturas novas destinadas às duas polícias, além de armas de grosso calibre.

O governador respondeu, também, questões sobre os bastidores políticos, como as indicações do senador Pedro Simon (PMDB-RS) e a deputada federal Rita Camata (PMDB-ES) para vice do presidenciável tucano José Serra.

Seu comentário antecedeu a definição do PMDB pela indicação de Rita, que ocorreu na tarde de ontem. Antes de participar da cerimônia de entrega dos veículos, Alckmin concedeu a seguinte entrevista ao Jornal da Cidade e à FM 96:

Jornal da Cidade - O senhor tem sido muito criticado pela atuação do governo na área de segurança. É possível reverter essa situação? Geraldo Alckmin - A segurança tem melhorado e a polícia tem tido vitórias importantes. Estamos aumentando o efetivo de policiais. Estamos terminando o treinamento de seis mil soldados temporários. Há uma lei federal do presidente Fernando Henrique que permite contratar por um ano, prorrogado por mais um, jovens de 18 a 23 anos de idade, os conscritos do Exército. Só a região de Bauru deverá receber 360 desses soldados temporários. Com isso, nós liberamos os soldados que estão em área de apoio. Estamos aumentando o efetivo da PM, chegando ao número recorde de 86 mil policiais militares. No dia 22 de junho, a região de Bauru receberá mais 211 PMs. Já nomeamos agentes policiais, de telecomunicações e agora os escrivãos. Vamos terminar os concursos para investigador e delegado. Estamos prendendo seqüestradores; 411 já estão presos, número de ontem (anteontem). A polícia está motivada. Só no dia de hoje vamos entregar 77 viaturas novas para as Polícias Militar e Civil e mais armamento pesado.

FM 96 - A violência também é o que mais preocupa o candidato Geraldo Alckmin? Alckmin - Preocupa o governador. Candidato só depois da convenção. As três grandes preocupações da população são a segurança, o emprego e a saúde. Na questão do emprego estamos ampliando o Banco do Povo para financiar o pequeno empreendedor; realizamos programas de qualificação e requalificação profissional e construimos escolas de boa qualidade; investimos no agronegócios e infra-estrutura de desenvolvimento. Temos aqui a hidrovia, o terceiro trilho, entroncamento ferroviário, o novo aeroporto que está na terceira etapa.

JC - O senhor havia feito uma previsão de que entregaria o novo aeroporto em dezembro deste ano. Está mantida? Alckmin - Essa obra será entregue no ano que vem. É uma obra cara. É o maior aeroporto do Interior do Brasil. Já investimos R$ 12 milhões. A primeira etapa foi de R$ 7,8 milhões e essa é de R$ 5,3 milhões.

JC - Em janeiro, o senhor retomou a duplicação da rodovia Bauru-Marília. Há previsão de entrega da obra? Alckmin - A comandante João Ribeiro de Barros está incluída no programa do Banco Interamericano de Desenvolvimento, o BID. De Tupã a Marília, vamos fazer a terceira faixa, recapeamento, acostamento e obras de segurança. Na duplicação de Marília para Bauru, já contratamos uma primeira etapa, que é de Vera Cruz até Garça. Essa obra não pára mais. Agora, por quê precisa ser por etapas? Eu acho que a nova política é a política que não mente, a política da verdade. A política atrasada é aquela de prometer tudo. Começa tudo ao mesmo tempo e, acaba a eleição, pára. O povo paga caro por isso.

FM 96 - E em relação aos pedágios? Alckmin - Na Bauru-Marília não haverá nenhum pedágio. Essa é uma obra feita com dinheiro do Tesouro do Estado. Os outros pedágios que existem são importantes. Você tem duas maneiras de pagar uma obra: por exemplo, de São Paulo até Santos, a rodovia dos Imigrantes, se for feita com dinheiro de imposto, a dona Maria que mora lá no Pontal do Paranapanema, que nem automóvel tem, terá que pagar uma obra em direção ao Litoral, que provavelmente não usará. A outra maneira, mais justa, sob o ponto de vista social, é que quem usa paga. Quem usa mais, paga mais; quem usa menos, paga menos.

JC - O senhor está em segundo lugar nas pesquisas, empatado tecnicamente com Paulo Maluf. Qual é a sua expectativa para as eleições? Alckmin - Acho que a leitura mais importante não é a eleitoral. Até porque a população ainda não está muito sintonizada. Enquanto não tivermos o último apito do último jogo da Copa do Mundo a campanha não começará. A pesquisa, hoje, tem valor matemático, estatístico. Mas o valor político é pequeno. O que é importante na pesquisa é a aprovação do governo. Na última, o governo tinha 42% de ótimo e bom, 38% de regular. Nós temos 80% de aprovação. É difícil São Paulo ter um nível alto desse de aprovação.

JC - O senhor ainda não definiu quem será o seu vice. As conversações estão adiantadas? Alckmin - A nossa convenção está marcada para o dia 23 de junho. Essa indicação ocorrerá mais próxima da data da convenção. O assunto ainda está sendo discutido.

FM 96 - O senhor marca uma posição até oposta em relação ao ex-governador Mário Covas, que é a de não se envolver muito nos assuntos partidários. O senhor quer se preservar para a eleição? Alckmin - Na realidade, governador tem que governar. Essa é a nossa tarefa. A tarefa partidária cabe ao dirigente partidário. O deputado Edson Aparecido, presidente estadual do partido, o José Aníbal, presidente nacional, sempre estão me participando da situação. Estamos até ajudando junto ao PFL para quebrar resistências e fazer uma aproximação. Mas 90% do meu tempo é trabalho.

JC - O PMDB tem Rita Camata ou Pedro Simon para ocupar a vice de José Serra. Qual dos dois tem o melhor perfil para o PSDB? Alckmin - São dois bons nomes. Eu conheço o Pedro Simon. O governador Mário Covas gostava muito dele. É uma referência de seriedade. É um franciscano, né. Tem visão humanista, formação religiosa, um homem de caráter, experiente. Foi governador de um Estado importante, que é o Rio Grande do Sul. A Rita Camata foi minha colega de Constituinte. Coerente, séria, dedicada às questões sociais. Acho que o Serra tem dois bons nomes.

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