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Contaminados por chumbo já são 186

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 2 min

Chega a 186 o número de pessoas contaminadas com alta dosagem de chumbo em Bauru. Destas, 185 são crianças que moram nas proximidades do setor metalúrgico da Ajax.

Um novo laudo foi divulgado ontem pela diretora de Vigilância Epidemiológica da Divisão Regional de Saúde (DIR-10), Márcia Simonetti.

De acordo com ela, foram processadas mais 82 amostras de sangue, das quais 23 apresentaram mais de dez microgramas por decilitro de sangue, valor considerado limite pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Foram processadas até agora 523 amostras pelo Instituto Adolpho Lutz de São Paulo, sendo que desse montante, 11 pessoas são adultas e as demais, crianças. Uma gestante também fez o teste e foi detectada a contaminação acima do limite permitido pela OMS. “Essa mulher já deu à luz e está tudo bem”, salienta Márcia.

Uma criança, que apresentou um índice de contaminação de 90 microgramas por decilitro de sangue (muito acima do tolerado) ainda está internada no Hospital das Clínicas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu.

A diretora da Vigilância Epidemiológica diz que há uma grande quantidade de exames a serem feitos e que, na próxima semana, deverão ser divulgados novos laudos.

Avaliação psicológica

O Centro de Psicologia Aplicada (CPA) da Unesp de Bauru está avaliando 27 crianças com alta dosagem de chumbo no sangue. O resultado do trabalho, que visa detectar alterações psicológicas, só deverá ser divulgado no começo de julho. â€œÉ um trabalho que exige dedicação e paciência”, salienta a professora do Departamento de Psicologia da Unesp, Olga Maria Piazentin Rolim Rodrigues, que faz parte do grupo de atendimento.

Ela explica que os pacientes realizam diversos testes psicológicos e entrevistas e que nem todos respondem no mesmo ritmo. “Algumas crianças ficam cansadas, outras têm dificuldade para dar uma resposta imediata, por isso precisamos fazer tudo com calma”, explica.

Olga destaca que o grupo de atendimento vai analisar inicialmente as 50 primeiras crianças que apresentaram alta dosagem de chumbo, sendo que 27 delas já estão sendo avaliadas.

“Vamos verificar se elas estão com o desenvolvimento psicológico em dia com a sua faixa etária”, ressalta a professora.

De acordo com ela, a participação dos pais está sendo fundamental no trabalho. “Nós temos que avaliar o contexto no qual a criança está envolvida para obter uma resposta satisfatória para a nossa análise. Os pais estão colaborando bastante.”

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