A Comissão de Direitos Humanos da Subseção Bauru da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) não está satisfeita com a abrangência das obras de recuperação das ruas que esta sendo feita pela prefeitura. Ontem, a entidade protocolou uma petição na Promotoria de Defesa da Cidadania cobrando que o recape asfáltico seja ampliado na periferia.
Sandro Fernandes, que preside a comissão, afirma que os bairros vão ficar com 60% do total de recape asfático que a prefeitura licitou, o que seria pouco e não antederia boa parte das ruas que estão esburacadas e oferecem riscos de acidentes.
“Tem sido alardeado que Bauru tornou-se um canteiro de obras, mas analisamos o edital de licitação e constatamos que a periferia não será atendida como deveriaâ€, diz. O secretário municipal de Obras, Antônio Carlos Duarte, explica que a recuperação está sendo feita de acordo com as possibilidades financeiras da prefeitura.
A análise feita pela Comissão de Direitos Humanos revelou que cerca de 40% das obras licitadas pela prefeitura são na avenida Nações Unidas, zona sul e Bela Vista. “Isso significa que o resto da cidade, toda a periferia, onde a situação é mais crítica, ficará com 60% das obras. A periferia não foi priorizadaâ€, reclama Fernandes.
Outro questionamento feito pela comissão é que, mesmo nos bairros, o recape prioriza as principais ruas. “Dos 60% das obras que serão feitas na periferia, boa parte corresponde às principais vias dos bairros. Ou seja, serão recuperadas apenas as ruas onde a visibilidade é maiorâ€, afirma.
A conclusão da e entidade é que muitas ruas dos bairros continuarão esburacadas e o risco de acidentes persistirá. “Isso significa que a população continua correndo risco. Na petição mostramos esse levantamento ao Ministério Público e pedimos que solicite ao prefeito que apresente um cronograma de obras para o restante da cidade, com calendárioâ€, completa.
A petição protocolada ontem será anexada à representação dos buracos, feita pela Comissão de Direitos Humanos no início do ano. Fernandes lembra que a representação visava denunciar o perigo que os buracos representavam à população, para que a prefeitura tomasse providência.
Agora, que a prefeitura iniciou a recuperação das ruas, a entidade reivindica obras na periferia. “Não podemos esquecer que uma pessoa morreu após sofrer um acidente, com sua bicicleta, por causa de um buraco. Se a prefeitura não ampliar as obras de recuperação das ruas, acidentes vão continuar ocorrendoâ€, diz.
Prioridade
Para a dona de casa Rita de Cássia Rouffic Gianello, que mora no Jardim Ferraz, a prefeitura está priorizando a zona sul e área central em detrimento da periferia nas obras de recuperação das ruas. Ela conta que ruas como a Saint Martin e Araújo Leite, não estavam tão ruins e foram recapeadas enquanto outras, de bairros, estão em pior estado e não vão ser recuperadas.
“Eu acho que não haveria necessidade de recapear a rua Araújo Leite, por exemplo. Passo por lá todos os dias e não via um buraco naquela rua. O ônibus do Jardim Ferraz sempre precisa desviar a rota por causa de buracos. A rua Antônio Walderramas D’Aro, na Vila Popular Ipiranga, por exemplo, está horrívelâ€, diz.