Política

Incerteza sobre Alca aglutina forças

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Embora tenha sido formalizada há sete anos na primeira reunião de cúpula, em Miami, a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) somente agora começa a chamar a atenção dos brasileiros para uma discussão mais aprofundada. As incertezas sobre as vantagens e desvantagens do Brasil aderir ao bloco econômico acabaram unindo os segmentos organizados da sociedade.

Formada por 34 países, que juntos somam um mercado de 800 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 11 trilhões, a Alca deverá ser a maior zona de livre comércio do mundo. O bloco inicia-se no Alasca (extremo norte) e atravessa todo o continente americano - inclusive os países do Caribe (a exceção de Cuba) - até chegar à Patagônia (extremo sul).

As negociações para aparar diferenças entre os 34 países avançam e, se não houver surpresa, a partir de janeiro de 2005 as barreiras alfandegárias no bloco vão fazer parte do passado.

A Igreja Católica, através da Conferência Nacional dos Bispos (CNBB), e entidades sindicais de todo o País estão organizando a realização de um plebiscito de 1 a 7 de setembro para saber da população se o Brasil deve ou não aderir à Alca.

Bauru

Em Bauru, o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sinserm), a Associação dos Docentes da Universidade Estadual Paulista (Adunesp), o Sindicato dos Bancários e o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias de Bauru, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso juntaram forças para lançar e distribuir uma cartilha contra a adesão do Brasil à Alca.

A iniciativa conta com o apoio do Conselho Diocesano de Leigos e Leigas, ligado à Igreja Católica, diretórios acadêmicos e da União da Juventude Socialista (UJS). Outra iniciativa, apoiada por vários sindicatos, foi o lançamento de um comitê contra a formação do bloco econômico.

Segundo o sindicalista Roque Ferreira, o grupo começará a distribuir a cartilha no próximo sábado, no Calçadão da Batista. “O livreto explica de maneira bem simples o que é a Alca a partir da realidade de cada um.”

Ele defende o rompimento do Brasil com a área de livre comércio. Para Ferreira, é subjetivo afirmar que se o País não aderir ao bloco econômico ficará isolado e perderá com essa decisão.

“Desde quando se descobriu o comércio nenhum país está isolado um do outro. Hoje existe uma maior interatividade na área de relações na questão do comércio. Entretanto, um País com a economia do Brasil jamais poderá ficar isolado em qualquer cenário mundial.”

O sindicalista defende que é preciso tratar as relações de comércio mantendo a autonomia das nações. “O Brasil tem que ter autonomia para decidir quais são as melhores políticas a serem desenvolvidas e qual a forma que ele se relaciona com os outros países. A Alca destrói as nações enquanto nações.”

Ferreira lembra que os Estados Unidos não escondem que o objetivo da formação do bloco é manter e fomentar os interesses norte-americanos na área econômica.

“O secretário de Estado Colin Powell é claro quando diz: ‘Nosso objetivo com a Alca é garantir para as empresas norte-americanas o controle de um território que vai do Pólo Ártico à Antártida, e livre acesso, sem nenhum obstáculo ou dificuldade, de nossos serviços, tecnologia e capital entre todo o hemisfério’. Isso se contradiz também com os interesses da classe trabalhadora norte-americana.”

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