Saúde

Pele é o órgão mais afetado por fungos

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 4 min

Os fungos são os vilões da pele. A maioria das doenças causadas por fungos se manifesta nesse que é o maior órgão do corpo humano.

Há vários tipos de micoses e todas têm como sintomas, manchas, vermelhidão e coceira na pele. Há também as micoses que atingem as unhas e aquelas que afetam o couro cabeludo.

De acordo com a médica dermatologista, Tânia Moutinho A. Nunes Viviani, os fungos vivem em todos os lugares: no chão, na grama, na poeira, na terra e na pele. Alguns causam doenças e outros não. “Nós temos fungos que moram em nossa pele e convivem pacificamente. Onde está ventilado, o fungo não causa nada. Eles gostam é de lugares quentes e abafados”, diz.

As micoses superficiais da pele, conhecidas como tinhas, de acordo com Tânia, são infecções provocadas por fungos que atingem a pele, unha, mucosa e couro cabeludo. É uma enfermidade infecciosa com possibilidade de transmissão relativamente alta, explica a médica.

Outros tipos de doenças causadas por fungos são os dermatófitos (micoses) e também as populares “impigens”. Essas lesões são arredondadas, meio rosadas e crescem centrifugamente, podendo juntar-se umas a outras, também coçam e descamam. Normalmente, elas surgem mais no verão por causa do calor que provoca maior umidade.

Essas lesões são contagiosas, podendo passar de uma pessoa para outra, mas a transmissão depende da predisposição genética individual, passada dos pais para os filhos.

O tratamento das lesões da pele, de acordo com Tânia, se dá por uso tópico de medicamentos (aqueles que são aplicados no local das lesões) e também por via oral, dependendo da gravidade de cada doença. Normalmente, leva-se um mês para tratar as lesões.

O acontece na maioria das vezes, de acordo com a médica, é que os pacientes notam uma melhora nas lesões e para com o tratamento. Isso faz com que, em pouco tempo, as lesões voltem a surgir.

O tratamento das unhas, explica Tânia, é um pouco mais demorado porque leva o mesmo tempo do crescimento delas, podendo durar até um ano. Ele também se dá por medicamentos via oral e tópico.

Praia e piscina

Uma micose muito comum, de acordo com Tânia é a conhecida como “micose de praia ou piscina”. O nome correto dessa doença é ptiriase versicolor. Mas, ao contrário do que se pensa, ela não é adquirida na praia ou na piscina. O fungo causador dessa doença habita a pele de todas as pessoas e, em algumas delas, é capaz de se desenvolver causando a pitiriase.

A médica explicou que, quando uma pessoa com micose se expõe ao sol, a pele contaminada não se bronzeia. A doença então aparece na forma de manchas claras, pois a pele ao redor fica bronzeada e ela acha que pegou a doença na praia ou na piscina. “Na verdade, o sol apenas mostrou aonde estavam as micoses”, diz.

Ela conta que o nome versicolor significa que as lesões podem ter diferentes cores como rosa, avermelhada ou castanha, dependendo do tipo da pele do doente. As lesões são recobertas por uma fina descamação.

Unhas

Os fungos causadores da onicomicose (micose de unha), de acordo com a médica dermatologista, precisam de lugares úmidos, escuros e quentes para se reproduzirem. Os sapatos e os tênis, explica ela, são locais ideais para o surgimento desses microrganismos. As onicomicoses representam 40% das consultas por lesões ungueais (relativas às unhas).

A unha com micose é muito difícil de ser tratada e, mesmo com um tratamento eficiente, é bastante provável que, com o tempo, a doença volte a aparecer.

O problema das onicomicoses, segundo a dermatologista, pode ser atenuado através de algumas medidas como o uso de meias de algodão, pois elas absorvem melhor a umidade dos pés do que as de nylon. A meia, pondera Tânia, evita o contato dos pés diretamente com o solado interno do calçado que fica contaminado também pelos microrganismos.

Pé de atleta

É extremamente comum a doença conhecida como “pé de atleta”. Ela ataca mais os homens do que as mulheres, em geral adultos. Essa doença é conhecida também como frieira ou ainda “tinha interdigital.” O “pé de atleta” é facilmente curado. É uma infecção causada por um número superior a um milhão de tipos diferentes de fungos.

Quando os fungos causadores da frieira entram em contato com a pele dos pés, particularmente nos vãos dos dedos, que é a região mais abafada e mais úmida, surge uma reação no tecido para combater os efeitos do agente nocivo.

Essa doença, além do desconforto, pode causar um problema estético nos pés. Fissuras entre os dedos, um dos sintomas da doença, dão a impressão de falta de cuidados ou de higiene e podem servir de porta de entrada para microrganismos.

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