Economia & Negócios

Indústria da região reduz os postos de trabalho em 2002

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 3 min

O nível de emprego industrial na Diretoria Regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) em Bauru - região composta por 17 municípios -, em 2002, teve uma queda acumulada de 1,4%, o que significa o fechamento de 231 postos de trabalho, de acordo com a Pesquisa de Mão de Obra (PMO), realizada pela entidade.

Neste ano, desde janeiro, todos os resultados apresentados foram negativos. Em abril, a variação ficou em 0,34% negativo, o que significou uma redução de aproximadamente 55 postos de trabalho. Nos últimos 12 meses, o saldo ainda é positivo, com um acréscimo é de 0,24%, que equivale a 39 trabalhadores na região.

O índice total de emprego industrial da regional do Ciesp em Bauru foi influenciado pela variação negativa do setor de produtos alimentares e editorial e gráfica, respectivamente, com menos 1,08% e menos 0,16%, que são setores predominantes na região por número de empregados, ou seja, os que mais influenciam na ponderação do cálculo do índice total.

O resultado só não foi pior, avalia a entidade, devido à variação positiva do setor de mecânica, 0,76%, que também é um dos setores predominantes na região.

Quando comparados os meses de abril nos anos de 2001 e 2002, de acordo com o Ciesp, tem-se um cenário pior, pois em abril de 2001 o resultado foi negativo em 0,21%.

Para o Estado de São Paulo, o acumulado no ano é negativo em 0,9%. Nos últimos 12 meses, o Estado teve um desempenho pior que o da região de Bauru, com o percentual de redução de 3,08%.

José Luiz Miranda Simonelli, diretor regional do Ciesp, afirma que a queda no nível de emprego na indústria se deve ao fato do País estar apreensivo com tudo o que está ocorrendo na economia e no quadro político da sucessão presidencial.

Para ele, a situação é mais grave do que aparenta, pois além do desemprego formal apontado pelas estatísticas, existe ainda o que ele chama de “desemprego informal”, que são aquelas pessoas que não estão conseguindo se manter na informalidade, pela falta de vendas até dos camelôs. “A estatística representa parte do desemprego. É preciso criar esse conceito de desemprego informal”, defende.

Wagner Aparecido Ismanhoto, chefe do Departamento de Economia da Faculdade de Economia da Instituição Toledo de Ensino (ITE), estranha a queda do emprego na indústria e afirma que, neste momento, esse índice deveria ser positivo.

A análise é que o governo não está liberando recursos e adotou uma política econômica de retenção, para alterar esse posicionamento num momento mais próximo às eleições, para beneficiar o candidato da situação. Para ele, o fato do candidato de oposição Luiz Inácio Lula da Silva estar na frente, está fazendo com que o governo trabalhe de forma a mostrar que a atual instabilidade econômica é fruto dessa situação. â€œÉ jogo político”, ressalta.

Ismanhoto afirma que enquanto o governo não tomar atitudes para melhorar o fluxo da economia, a situação de perdas de postos de trabalho tende a se agravar. Porém, acredita que, em determinado momento, o governo vai jogar de forma a mostrar que ainda tem a economia na mão. “Acho que isso vai ser feito mais próximo da eleição”, afirma.

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