O nível de emprego industrial na Diretoria Regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) em Bauru - região composta por 17 municípios -, em 2002, teve uma queda acumulada de 1,4%, o que significa o fechamento de 231 postos de trabalho, de acordo com a Pesquisa de Mão de Obra (PMO), realizada pela entidade.
Neste ano, desde janeiro, todos os resultados apresentados foram negativos. Em abril, a variação ficou em 0,34% negativo, o que significou uma redução de aproximadamente 55 postos de trabalho. Nos últimos 12 meses, o saldo ainda é positivo, com um acréscimo é de 0,24%, que equivale a 39 trabalhadores na região.
O índice total de emprego industrial da regional do Ciesp em Bauru foi influenciado pela variação negativa do setor de produtos alimentares e editorial e gráfica, respectivamente, com menos 1,08% e menos 0,16%, que são setores predominantes na região por número de empregados, ou seja, os que mais influenciam na ponderação do cálculo do índice total.
O resultado só não foi pior, avalia a entidade, devido à variação positiva do setor de mecânica, 0,76%, que também é um dos setores predominantes na região.
Quando comparados os meses de abril nos anos de 2001 e 2002, de acordo com o Ciesp, tem-se um cenário pior, pois em abril de 2001 o resultado foi negativo em 0,21%.
Para o Estado de São Paulo, o acumulado no ano é negativo em 0,9%. Nos últimos 12 meses, o Estado teve um desempenho pior que o da região de Bauru, com o percentual de redução de 3,08%.
José Luiz Miranda Simonelli, diretor regional do Ciesp, afirma que a queda no nível de emprego na indústria se deve ao fato do País estar apreensivo com tudo o que está ocorrendo na economia e no quadro político da sucessão presidencial.
Para ele, a situação é mais grave do que aparenta, pois além do desemprego formal apontado pelas estatísticas, existe ainda o que ele chama de “desemprego informalâ€, que são aquelas pessoas que não estão conseguindo se manter na informalidade, pela falta de vendas até dos camelôs. “A estatística representa parte do desemprego. É preciso criar esse conceito de desemprego informalâ€, defende.
Wagner Aparecido Ismanhoto, chefe do Departamento de Economia da Faculdade de Economia da Instituição Toledo de Ensino (ITE), estranha a queda do emprego na indústria e afirma que, neste momento, esse índice deveria ser positivo.
A análise é que o governo não está liberando recursos e adotou uma política econômica de retenção, para alterar esse posicionamento num momento mais próximo às eleições, para beneficiar o candidato da situação. Para ele, o fato do candidato de oposição Luiz Inácio Lula da Silva estar na frente, está fazendo com que o governo trabalhe de forma a mostrar que a atual instabilidade econômica é fruto dessa situação. â€œÉ jogo políticoâ€, ressalta.
Ismanhoto afirma que enquanto o governo não tomar atitudes para melhorar o fluxo da economia, a situação de perdas de postos de trabalho tende a se agravar. Porém, acredita que, em determinado momento, o governo vai jogar de forma a mostrar que ainda tem a economia na mão. “Acho que isso vai ser feito mais próximo da eleiçãoâ€, afirma.