Uns contrariados, outros nem tanto, cerca de 2.500 universitários de Bauru compareceram à aplicação da sétima edição do Exame Nacional de Cursos, o Provão.
Na tarde de ontem, em frente à Câmara Municipal de Bauru, alunos dos cursos de psicologia, jornalismo e arquitetura e urbanismo organizaram manifestações contrárias à avaliação promovida pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC).
Bauru sediou provas de 32 cursos, que tiveram início às 13 horas. Os exames foram aplicados o Colégio Preve Objetivo e nas escolas estaduais Ernesto Monte e Professor Christino Cabral.
O estudante do quinto ano do curso de Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Felipe Vargas Pereira, destaca a preocupação com o princípio de autonomia das universidades públicas.
“Nós somos contra essa forma de avaliação por inúmeros motivos. O Provão é contra o princípio de autonomia das universidades públicas. Essa autonomia dá capacidade à universidade de se gerir e se avaliar. Ele é contraditório. Sou a favor de uma avaliação, mas não dessa formaâ€, reforça.
Para ele, a prova não é o mecanismo adequado para avaliar estudantes de arquitetura de diferentes regiões do País, por exemplo.
â€œÉ complicadíssimo avaliar a qualidade de um estudante em uma prova de quatro horas. Tem outros problemas. É uma prova para todos os cursos de arquitetura e urbanismo do Brasil. Está implícita uma padronização e o arquiteto do Rio Grande do Sul não tem que saber a mesma coisa que o arquiteto do Amazonas. São realidades e necessidades diferentesâ€, expõe Pereira.
Na opinião de Suzana Marcolino, estudante de Psicologia da Unesp, o Exame Nacional de Cursos reflete incoerências. “Nas (universidades) públicas, o governo está avaliando mas é o próprio governo que tem que dar condições para a qualidade dos cursos. Isso acaba garantindo que as universidades privadas continuem aí vendendo seus diplomas. É uma avaliação que não cumpre o objetivo de avaliarâ€, enfatiza.
Janaína Quitério, do 4.º ano do curso de Jornalismo da Unesp, destaca a preocupação com o “sucateamento da universidade públicaâ€. “Optamos pelo boicote como uma forma de questionar a imposição de uma política de avaliação para a universidade pública. O MEC vem como fiscalizador dos cursos, mas não coloca uma contrapartida que é o investimento no cursoâ€, diz.
Na tarde de ontem, os estudantes que optaram pelo boicote compareceram às escolas para assinar a lista de presença e, no entanto, entregaram as provas em branco e saíram no tempo mínimo obrigatório para permanência nas salas de aula.
A participação no Provão é obrigatória por lei para que o estudante obtenha seu diploma.
MEC
De acordo com o MEC, em relação a 1996, quando foi realizada a primeira edição do Provão, a quantidade de inscritos aumentou de 55.537 para 395.995.
Este ano, estão sendo submetidos ao teste alunos concluintes nas áreas de Agronomia, Arquitetura e Urbanismo, Administração, Biologia, Ciências Contábeis, Direito, Economia, Enfermagem, Engenharia Civil, Engenharia Elétrica, Engenharia Mecânica, Engenharia Química, Farmácia, Física, História, Jornalismo, Letras, Matemática, Medicina, Medicina Veterinária, Odontologia, Pedagogia, Psicologia e Química.