Ainda que devagar, quase parando, para felicidade geral da nação, como pregam o chefe do governo e seus diversos ministros, a inflação não pára realmente e nem ao menos recua, para tristeza da coletividade. Então, aí está ela, quase tropeçando as pernas, mas caminhando sem perceber que intranquiliza a população, denunciando claramente que o “milagre†econômico, tão proclamado em seu tempo, é mesmo coisa do passado que não deve voltar tão cedo, se é que voltará um dia.
Que saudade a gente tem da bela “aurora†da nossa vida! - dir-se-ia colocando as mãos no coração... Tínhamos inflação (desde quando?) mas, vê-la disparar em 1974 e percebê-la, tempos ininterruptos, mesmo com a implantação posterior do desejado Real, era fato com que não contava nenhum santo brasileiro, agora suavemente acompanhado de Madre Paulina. Não poucos fatores concorreram para tanto. Contudo, que força maior poderia gerar o fenômeno que o surgimento daquele surto inflacionário que sacudiu a Terra, a nível imensamente mundial, revolucionando as algibeiras de tanta gente? Sem dúvida, foi ele que provocou tudo porquanto logo afetou, também, - tinha que fazê-lo, - a economia do nosso País, gerando majorações tanto nos preços dos produtos importados (petróleo, veículos, máquinas e outros bens) como dos que exportamos, ao que se acrescentou indelevelmente a especulação financeira em muitos setores, porquanto nada menos que um terço das 400 maiores empresas nacionais passou a auferir mais lucro especulando no mercado que produzindo bens e serviços, que são muitos. E a caminhada não parou, sorte que menos desenvolta que anos atrás, quando dava a impressão de que acabaria esfomeando a população.
Qual a medicação que os nossos laboratoristas receitariam para segurar a dita cuja, encurralando-a nos redutos que a impedissem de prosseguir? A fala dos cirurgiões é uma só: sacrifício, muito sacrifício, que precisa inserir-se na vida de ricos, remediados e pobres, com o Governo, por seu turno, efetuando heroicamente, sem a menor sombra de dúvida ou de recuos, uma absoluta abertura político-administrativa, infensa a negativas fórmulas laboratoriais, para que o surto seja combatido pelo método tradicional: uma recessão comedida, equilibrada, que não abale os alicerces nem da Nação e muito menos do povo... É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)