Quarta-feira, Dia dos Namorados. Do lado de fora da Igreja de Santo Antônio, na Bela Vista, 25 casais preparam-se para um casamento coletivo. Entre eles está José Augusto Tavares, um animado noivo de 90 anos.
“Com esse casamento é o quartoâ€, conta o homem rindo. “Enquanto a gente está bem, está de pé, acho que tudo vale a penaâ€, diz sentado calmamente em um banco da igreja.
A cruz de neon ofusca os olhos de quem sobe a escadaria da igreja. Lá dentro, já não há mais lugares. É véspera do Dia de Santo Antônio e muita gente está adiantando a “fézinha†para o casamenteiro.
Ao lado de “seo†José, claro, a noiva: “No começo eu não tinha interesse de namorar. Sou viúva duas vezes. Era só uma brincadeirinhaâ€, conta a elegante Brasília Franco Tavares, que não esconde a idade, 82 anos.
Dona Brasília conta que rendeu-se ao insistente José para agradar a neta, na época com oito anos. “Foi essa aqui o cupidoâ€, diverte-se mostrando a menina, já crescida e toda arrumada para o casório.
Nervoso? “Que nada, rapaz, no meio desse povo todo, estou achando muito legalâ€, diz o noivo ilustre. O casamento coletivo também agrada dona Brasília. â€œÉ bacana, não é?†A fila se forma, lembrando uma quadrilha de festa junina. A diferença é que alguns ali estão visivelmente tensos.
Amor não tem idade, conclama o chavão. Depois do homem de 90 anos, encontra-se uma adolescente. Ali no meio está Ana Cláudia Laureano, 16 anos. Ela sim está nervosa, mal consegue respirar o ar seco do outono. “Casar é meu sonho. Fiz questão do vestidoâ€, confidencia. Ela é uma das poucas com o traje clássico. Toda de branco.
Seu noivo, Sebastião Quintino Júnior, 24 anos, conta que eles já têm um bebê e esperavam uma oportunidade para casar. “Acho que vai ser mais bonito que um casamento comumâ€, opina.
Juntos há 12 anos, Gaudência Aquino Crepaldi, 66 anos, e Antônio Sanches, 70 anos, aguardam na fila. “Estávamos esperando um tempo para ver se dava certo. Agora, sim, podemos casarâ€, explica Gaudência.
Apesar de não estar vestida como Ana Cláudia, ela inspira jovialidade, inocência até. “Casar era um sonho. De que mulher não é?â€, diz com os olhos eufóricos.
Os primeiros casais preparam-se para entrar. Ninguém quer ser notícia numa hora dessas. O último casal da fila, no entanto, conta um pouco da sua história. “Temos uma menina de 13 e outra de 7. Vivemos juntos há 15 anosâ€, diz Wilson Monteiro Vicente, 68 anos. Ao seu lado, a noiva Márcia Aparecida dos Santos Vicente, 32 anos. Eles caminham pela igreja, ao passar pela sua “torcidaâ€, Wilson acena.
O padre entra: “ao nosso querido Santo Antônio: a nossa saudaçãoâ€. Palmas, muitas palmas. O santo é forte. Os casais estão prontos. Que eles sejam felizes para sempre.
Bauru registra 100 casamentos/mês
Em Bauru, dois cartórios fazem o registro dos casamentos. Em cada um deles, a média é de 50 matrimônios por mês.
No Cartório de Registro Civil do 1º Distrito, no Centro, a quantidade de casamentos está caindo ano a ano, segundo Ademílson Luiz Mendes Novelli, oficial do cartório. Segundo ele, este ano a queda é de cerca de 8% em relação ao ano passado. “A instituição casamento está um pouco desacreditadaâ€, opina
Alexandre de Matos Nascimento, escrevente-substituto do cartório do 2º Distrito, na Vila Falcão, discorda de Novelli. Para ele, o casamento tem mais crédito hoje. “Ele é necessário. Pelo lado prático, serve como documento. Além disso, existe o lado socialâ€, afirma. “As pessoas são mais bem informadas na atualidade. Tem consciência da decisãoâ€, comenta.
Segundo as estimativas de Nascimento, o cartório do 2º distrito vem registrando o mesmo número médio de casamentos, de 50 por mês, há dez anos.
O que os dois concordam é que o mês de dezembro é o campeão de casamentos, desbancando maio, o “mês das noivasâ€. Em dezembro, cada cartório registra, em média, 70 uniões.
Nascimento, no entanto, admite que o aumento da população em Bauru não está sendo acompanhado por uma maior incidência de matrimônios. O processo burocrático do casamento custa R$ 159,00. Inclui a papelada e a publicação de um edital. “O preço está caindo desde 1990â€, afirma Nascimento.