Polícia

Agressão leva família a sair de casa

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

A menina de 11 anos, que foi espancada na madrugada de domingo em sua própria casa, no Jardim Tangarás, apresentou pequenos sinais de melhora ontem, embora continue internada em estado grave. O caso continua sendo um mistério e a família deixou a casa com medo que o agressor volte.

A mãe da criança prestou novo depoimento ontem na Delegacia de Investigações Gerais (DIG) e confirmou o primeiro relato, que que estava na casa, mas não ouviu nada na madrugada que sua filha foi espancada. A polícia acredita que só a vítima poderá desatar o mistério que envolve o caso.

A menina foi agredida no período compreendido entre às 3h e 7h. A agressão ocorreu no interior do quarto da vítima. De acordo com o depoimento da mãe e do namorado dela, o casal e a menina chegaram em casa, vindos de uma quermese, já na madrugada.

A criança foi colocada para dormir em seu quarto, enquanto que o casal foi para outro cômodo, cerca de oito metros de distância. A casa foi trancada e o casal não ouviu qualquer barulho. “O som estava ligado”, alega a mãe.

Pela manhã, quando a mãe foi abrir a porta da casa notou que a chave não estava no local de costume e resolveu perguntar se a filha tinha pego. Entrou no quarto e deparou-se com a menina espancada e o cômodo sujo de sangue, fezes e vômito.

A menina foi socorrida e os médicos descartaram que tenha ocorrido conjunção carnal, o que configuraria o estupro. A mãe e o namorado foram ouvidos e ambos apresentam a mesma versão, sem contradições detectadas pela polícia.

A chave da casa sumiu. Nenhum objeto que pudesse ter sido usado na agressão foi encontrado. A vítima sofreu esmagamento do crânio e foi internada inconsciente. Uma das janelas da casa aprensentava uma pequena abertura por onde dificilmente teria passado um adulto, capaz de promover ferimentos tão graves na menor.

Confirmação

A Delegacia de Investigações Gerais (DIG), encarregada das investigações, não conseguiu informações novas e também não constatou contradições que pudessem incriminar essa ou aquela pessoa. Segundo o titular da DIG, delegado J.J. Cardia, outras investigações estão sendo desenvolvidas, porém em sigilo. “Estamos aguardando a melhora da vítima. Ela poderá contar a verdade sobre os fatos.”

Revolta e indignação

Para a mãe da menina agredida, o agressor é um covarde porque sua filha ainda é criança. “Porque ele foi mexer com uma criança. Eu estava na casa com meu namorado. Ele podia ter enfrentado dois adultos. Se preferiu agredir uma criança é porque é um covarde”, afirma.

Ela diz estar indignada e revoltada com a bárbarie cometida contra sua filha. “Ela é uma menina. Tem tamanho de moça, mas brinca de boneca”, conta. A mulher não arrisca dizer o que pode ter acontecido com sua filha. “Eu não posso apontar essa ou aquela pessoa. Estou morando há dois meses no local e não tenho amizade e nem inimizada de algum pessoa. Se eu soubesse quem fez essa atrocidade, seria a primeira a apontar para a polícia”, diz.

A revolta da mãe é que a menor nunca teria apanhado, se quer dela. “Eu nunca tive que erguer a mão contra ela. É uma menina muito boa. Imagine a revolta que eu estou. Vi minha filha com o rosto todo deformado e insconsciente”, conta.

Para a mãe, o estado de saúde da menor não evoluiu. “Eu não vi melhora, embora a médica tenha dito que o quadro evoluiu. Ela abriu os olhos, mas está sem falar, sem se melhor e com o rosto deformado”.

O sumiço da chave da casa é outro ponto misterioso para a mãe. “Eu tenho certeza que tranquei a porta e a chave ficou no lugar de sempre. A chave sumiu e eu estou fora da casa. Lá eu não volto mais, estou com medo. Quando minha filha estiver melhor vou embora de Bauru porque se esse monstro fez isso com ela, pode matar eu e meu filho. Eu sou viúva”, revela.

Crami não havia recebido denúncia

No Centro Regional de Registro e Atenção aos Maus-Tratos à Infância (Crami) não há registro de qualquer denúncia de maus-tratos envolvendo a menor agredida, segundo a assistente social Fabiana Lopes da Silva.

De acordo com ela, não houve aumento no número de agressões físicas no ambiente doméstico em Bauru. “O que temos percebido é que a violência tem sido cada vez mais grave. Antigamente, os casos apresentavam hematomas, ferimentos leves. Atualmente, as agressões apresentam ferimentos mais graves”, diz.

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