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Pesquisador vê revolução genômica

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 2 min

“Hoje, a genética brasileira é muito boa.” É o que afirma o pesquisador Oswaldo Frota-Pessoa, da Universidade de São Paulo (USP), especialista em genética clínica. Ele esteve ontem em Bauru, participando do 2.º Simpósio de Dismorfologia e Biologia Molecular. O evento integra as comemorações pelos 35 anos do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da USP, o Centrinho.

Para Frota-Pessoa - considerado pela classe médica o “papa” da genética clínica no Brasil -, a evolução das pesquisas brasileiras na área de genética aconteceu de forma bastante rápida. “O Brasil agora está ombreando muito bem com outros países de Primeiro Mundo em pesquisas de genética humana”, afirma. “Estamos numa fase primorosa da genética”, acrescenta.

O pesquisador ministrou durante o simpósio uma palestra sobre as origens da genética clínica. Ele destaca que os estudos sobre genética surgiram de uma pesquisa desenvolvida por um norte-americano sobre as moscas drosóphilas tropicais no Brasil.

“O que há de interessante na história da genética foi que tudo começou fora da genética e ninguém poderia prever que estudar mosquinhas viesse a ser a fonte que deu origem aos trabalhos de genética humana”, diz.

Estamos entrando numa revolução genômica. É o que o pesquisador de 85 anos anuncia, entusiasmado com os reflexos positivos que a humanidade pode ganhar em virtude das recentes descobertas da genética, como a chave para a cura de muitas doenças.

“Está havendo uma revolução nos mecanismos mais íntimos da célula, de como funciona quimicamente qualquer célula do corpo”, revela. “Hoje já há a possibilidade de se alterar certas células do corpo para elas produzirem um trabalho diferente do que elas fazem naturalmente”, explica.

Ao contrário do que muitos podem afirmar, Frota-Pessoa acredita que as novas descobertas na área da genética não podem ser utilizadas de forma negativa pelo homem. “Não é uma bomba atômica. Não há perigo nenhum”, garante.

Centrinho

Na oportunidade, o pesquisador falou também sobre a importância e o reconhecimento do trabalho desenvolvido pelo Centrinho em Bauru.

“O Centrinho é uma iniciativa muito importante porque ela transcendeu o nível que se esperaria para uma universidade que está no Interior. Eles penetraram num assunto restrito com uma profundidade que não existe outra no Brasil nem na América Latina, provavelmente. É uma coisa formidável”, enfatiza.

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