Auto Mercado

Editorial

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 1 min

Mais uma vergonha nacional. Talvez essa seja a melhor expressão para definir a triste e revoltante situação dos caminhoneiros brasileiros, que realmente nada têm a comemorar na data de amanhã que os homenageia.

Literalmente, a realidade enfrentada pela categoria é de fome, especialmente entre os autônomos. Muitos condutores de “brutos” mal conseguem ganhar para dar de comer a si próprios e a suas famílias. Praticamente todos os recursos se esvaem no ralo da exploração, onde desempenham papéis principais os baixíssimos valores dos fretes e os altíssimos, e indigentes, preços dos pedágios.

Some-se a isso, ainda, o fato dos caminhoneiros terem de arcar com a manutenção de seus veículos, que sempre é adiada diante dos custos exorbitantes para realizá-la. Assim, a frota vai nacional de caminhões vai ficando cada vez mais velha, sem condições adequadas de rodar e, principalmente, perigosa.

Os números nos fornecem um pequeno exemplo de quão indignante e sofrida encontra-se a profissão. Pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT) aponta que o caminhoneiro trabalha demais sem receber proporcionalmente. O estudo revela que um condutor autônomo trabalha, em média, 15 horas por dia e ganha R$ 3 mil, valor que não leva em conta as despesas com manutenção, pedágios e o sustento da família.

Outra pesquisa, feita em 2000 também pela CNT, avaliou as condições das estradas. Nela, 80% foram consideradas péssimas e deficientes no quesito conservação geral. Desta forma, o Dia dos Caminhoneiros de amanhã poderia ser a grande oportunidade para a categoria, revoltada com o abandono em que se encontra, protestar firmemente contra aqueles que lhes impõem tal situação.

Talvez nem seja preciso obstruir rodovias, a exemplo do que ocorreu em anos anteriores, mas algo precisa ser feito. Basta de tanta exploração!

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