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A equivalência das candidaturas


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Embora pela legislação eleitoral não estejamos, ainda, no período de tempo destinado à campanha, está mais do que evidente que ela já está, pelo menos na mídia e nos eternos e obscuros bastidores das organizações partidárias, em plena efervescência. À exceção de um dos pré-candidatos, que o é por um pequeno partido, os demais são, todos, mais ou menos equivalentes. Equivalência que lhes vem do reverente e intimidado silêncio em que deixam jazer os temas realmente relevantes para o futuro do Brasil e da nossa gente, temas transformados em intocáveis tabus, de vez que discuti-los seria expor a risco a validade de certos dogmas laicos, como os denominaria, possivelmente, René Guénon. Entre eles, o principal e mais indiscutível: é indispensável honrar a nossa dívida, sobretudo a externa, não apenas no que tange ao seu principal, mas também, aos seus serviços, marcados por juros variáveis que flutuam ao sabor, por incrível que possa parecer, dos credores.

Ninguém menciona o fato de que, quando na Conferência de Bretton Woods, próximo ao final da 2.ª Guerra Mundial, foi estabelecido que o referencial monetário do planeta seria o dólar americano. O afirmado foi que a cada um deles correspondia uma certa quantidade de ouro, guardada em Fort Knox, tal como constava da lei que deu a 12 bancos particulares americanos o privilégio, até hoje vigente, de emitir a moeda americana. E não se menciona o fato incrível, o inqualificável abuso ocorrido quando, em 1961, o presidente da França, então George Pompidou, que sucedera a De Gaulle, solicitou aos EUA a troca dos dólares de que a França dispunha pelo ouro a eles correspondente, e recebeu como resposta que tal ouro não estava disponível.

O leitor percebe que se tratava do mais fantástico calote dado não apenas à França, mas ao mundo inteiro, de vez que, com base no formidável poder de pressão econômica e, se necessário, militar dos EUA, como acontecimentos vieram demonstrar, continuou impositivamente válido o estabelecido em Bretton Woods, acerca de ser o dólar o padrão monetário mundial. O inominável abuso, ao contrário, em lugar de ser designado pelo verdadeiro nome, simplesmente foi denominado pela mídia “amiga”, como “abandono, ou quebra, do padrão ouro”... E isso, repita-se, em benefício dos interesses dos acionistas majoritários de 12 bancos, repitamos, todos particulares, cujos representantes compõem o famoso FED, do qual a real natureza, mantida sempre em discretíssimo silêncio, é a que acabamos de esclarecer.

O que é que, acerca da nossa interminável e estranguladora dívida, figura com o indispensável realce, nas falas dos pré-candidatos, à exceção de um, praticamente proscrito ou ridicularizado pela tal mídia “amiga”? Não pense o leitor seja nossa intenção sugerir a excelência, ou não, de tal pré-candidato. Até porque, o boicote de que é cercado torna muitíssimo remotas as suas chances eleitorais. O que queremos dizer, isto sim, é que a campanha indisfarçavelmente em curso, trava-se entre farinhas do mesmíssimo saco, o que é mau para o futuro do País, cuja boa e sofrida gente não merece.

Resta-nos, então, a vaga esperança de que, no tempo que ainda nos resta até outubro, algo aconteça capaz de colocar no cenário candidatura que seja realmente da estatura exigida pelas realidades do nosso país, que não tem nenhuma necessidade de continuar, humilhantemente, de joelhos, diante dos que não querem outra coisa senão que permaneçamos assim, como a entrega do nosso destino a mãos que, em proveito de poucos, irão fingir que nos governam, como tem acontecido até agora. (Jorge Boaventura. Home-page: www.jorgeboaventura.jor.br. E-mail: brasil@jorgeboaventura.jor.br)

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