Polícia

Motim de presos no Cadeião dura 7h

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 2 min

Após duas tentativas de fugas frustradas nos últimos quatro dias, a Cadeia Pública de Bauru, o Cadeião, registrou ontem revolta de 141 dos 183 presos que abrigava. Os detentos queimaram um colchão no pátio interno da cadeia, não quiseram almoçar e recusaram-se a retornar para suas celas.

O motim começou por volta das 9h30, no horário do banho de sol diário, no pátio da cadeia, e só terminou às 16h30. Mesmo após retornarem para as celas, os detentos recusaram o jantar. “Eles não aceitaram a comida afirmando que estão em greve de fome. Mas nas celas eles têm bolacha e outros alimentos levados pelos familiares na última visita”, conta o delegado Roberval Fabbro, diretor da cadeia.

Nas sete horas que ficaram no pátio, os detentos fizeram muita pressão, queimaram colchão e chegaram a ameaçar colocar fogo nas celas dos colegas que não participaram do movimento, de acordo com o delegado.

Apesar da revolta, os presos não fizeram nenhuma reivindicação à direção da cadeia. “Eles queriam a presença do juiz da Vara das Execuções Penais (Evandro Kato). O doutor Luiz Carlos (Gonçalves Filho), promotor das Execuções Penais, esteve aqui, mas eles não quiseram conversar com ele. Continuaram pedindo a presença do juiz, mas não conseguimos localizá-lo”, conta Fabbro.

Para o delegado, a revolta de ontem é uma forma de represália às duas tentativas de fuga frustradas - uma na quinta-feira e outra na madrugada de domingo. “Ficamos sabendo que eles (os revoltosos) acham que algum preso nos avisou sobre a tentativa de fuga da madrugada de domingo. Por isso ameaçaram pôr fogo nas celas dos que não participaram do movimento”, conta Fabbro.

O delegado afirma, no entanto, que o plano de fuga pelo corredor, após terem cerrado as grades da cela, foi descoberto por carcereiros. Não foi nenhum preso que nos avisou que haveria fuga. O carcereiro é quem ouviu barulho”, afirma.

Por medida de segurança, Fabbro reforçou a fechadura da porta do corredor, por onde os presos pretendiam fugir na madrugada de domingo. “Eles pretendiam fazer o chamado cavalo doido. Forçariam a porta até abri-la e sairiam todos correndo, de uma vez. Como detectamos uma pequena falha na porta, providenciamos reforço na fechadura”, afirma.

Durante o motim, a Polícia Militar reforçou a segurança externa, mantendo uma equipe de prontidão em frente à cadeia. As marmitex do almoço e jantar recusadas pelos detentos foram doadas a entidades assistenciais de Bauru.

Últimas tentativas de fuga

Janeiro: 1 Março: 1 Abril: 1 Junho: 2

Última fuga

Novembro de 2001- 89 presos fugiram pela porta da frente

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