Bairros

Casa de Nazaré corre risco de ser fechada por falta de verba

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

A Casa de Nazaré está passando por dificuldades financeiras e corre o risco de fechar suas portas para o atendimento de meninas de 12 a 18 anos que sofreram maus-tratos, abuso sexual ou abandono. A informação é do presidente da diretoria executiva da entidade, Pedro Sérgio Batista.

Com 12 anos de funcionamento, até recentemente era a única entidade em Bauru com o perfil de atender meninas em situações de risco. Este ano, o abrigo para meninas do Centro de Valorização da Criança (Cevac) iniciou suas atividades, colaborando nessa tarefa com o atendimento de dez meninas. A Casa de Nazaré, localizada no Jardim Prudência, tem capacidade máxima para 20 menores.

Somando as verbas repassadas pelos governos municipal e estadual, a Casa de Nazaré recebe R$ 1.373,00 mensais. De acordo com Batista, a entidade gasta por mês mais de R$ 5.500,00.

O presidente da entidade afirma que há mais de quatro anos não há reajuste dos valores repassados mensalmente. “Os recursos não aumentam conforme aumenta nossa necessidade”, ressalta.

São gastos que vão desde a alimentação diária e balanceada das 20 meninas até pagamento de funcionários - assistente social, psicóloga, monitora, entre outras -, gasolina para levá-las à unidade de saúde, por exemplo, dentista, remédios, roupas, cópia de documentos, e gastos com cartório.

A maior parte da receita da Casa de Nazaré vem da colaboração da Paróquia de São Benedito, que desde 1995 auxilia a entidade. Além disso, os recursos necessários para suprir as despesas da casa são angariados em eventos beneficentes, como festas, bingos e pasteladas.

“Hoje estamos trabalhando para gerar recurso para custeio e não para melhorar a qualidade de vida das meninas. Estamos achando que não estamos cumprindo nossa obrigação pela falta de recursos”, diz Batista.

Ele está pleiteando que a Casa de Nazaré receba recursos equivalentes ao do recém-inaugurado abrigo para meninas do Cevac. Segundo o presidente da casa, a nova entidade recebe do município cerca de R$ 6 mil mensais, através de convênio firmado com o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente.

Nos próximos dias, a direção da Casa de Nazaré, apoiada pelo Conselho Tutelar de Bauru, irá encaminhar ao Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente a solicitação do convênio. “Se não conseguirmos esses recursos, vamos ter que fechar a casa”, agrava Batista.

A presidente do Conselho Tutelar de Bauru, Darlene Têndolo, explica que o dinheiro que as entidades de Bauru recebem do município refere-se ao Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente.

Conselho quer projeto

O presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, Raulino Coan, diz que a destinação da verba do Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente é baseada em projetos de trabalho.

Contrariando a informação da presidente do Conselho Tutelar, Darlene Têndolo, ele afirma que o abrigo para meninas do Cevac presta um tipo de serviço que não existia até então em Bauru, atendendo meninas envolvidas com drogas ou violência.

“O trabalho do Cevac é muito mais importante e mais interessante porque também é preventivo”, diz Coan.

Ele afirma que o pedido de convênio será analisado. “Sabemos dessa questão da dificuldade financeira e não está fácil. Talvez o projeto da Casa de Nazaré deveria ser melhor encaminhado. Ela deveria documentar o trabalho que está desenvolvendo lá. O poder público é muito burocrático”, expõe Coan.

“Possibilidade eu não vou dizer que não existe. Eles têm todo o direito de fazer esse questionamento”, acrescenta o presidente do conselho.

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