Turismo

Bonaire: o paraíso dos mergulhadores

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 4 min

Os mergulhadores também têm a sua ilha da fantasia. Ela chama-se Bonaire, um arquipélago encravado nas águas turquesas do Mar do Caribe, a 80 quilômetros ao norte da Venezuela. A ilha é o “B” do ABC do Caribe, formado por Aruba e Curaçao, todas possessões do reino holandês.

A reportagem do Jornal da Cidade acompanhou uma equipe de oito mergulhadores até o arquipélago para ver de perto as belezas naturais do mais famoso sítio marinho do Caribe.

Símbolo de Bonaire

O burro, ao lado do flamingo e da iguana, é um dos animais símbolo da ilha caribenha de Bonaire. O muar se confunde com a história do lugar. Foram os pioneiros do século XVIII que trouxeram cavalos, éguas e jumentos para emprestar seus lombos como meio de transporte do sal, produto que durante décadas foi a principal atividade econômica do local.

Resultado do cruzamento do jumento com a égua, o burro e seus parceiros de lida transportavam a produção do sal para os navios cargueiros da época. Com a chegada dos primeiros veículos motorizados na ilha, os animais caíram em desuso.

Apesar do muar ser estéril, acredita-se que há pelo menos cerca de 400 deles transitando pelas vilas e praias de Bonaire. São encontrados facilmente pelos turistas.

Domesticados, para ver de perto um deles basta parar o carro e se aproximar. Os burricos são loucos para fazer uma ‘boquinha’ proporcionada por alguma boa alma.

Embora não tenham mais utilidade como meio de transporte, no passado serviram para alavancar o que foi a principal atividade econômica da ilha por décadas seguidas.

Hoje, a produção de sal deixou o topo da lista de rendimento de Bonaire, cedendo lugar para o turismo. Mas quem visita a ilha não pode deixar de conhecer as salinas. Atualmente, o sal produzido em Bonaire não serve para consumo.

O produto extraído das lagoas segue para os navios de maneira bruta. Ele é utilizado nos países europeus e da América do Norte (Estados Unidos e Canadá) para derreter neve.

As montanhas de sal são visíveis à muita distância. Elas enfeitam o cenário árido da região sul da ilha. As lagoas despontam pela cor rosada e pelo índice zero de vida.

Formam imensos clarões branco de espuma, que se desfaz com o constante vento que sopra do Leste para o Oeste, deixando o sal cru florescer na terra.

Sofrimento

Quem visitar as salinas não pode deixar de conhecer os dois conjuntos de minibarracões construídos na segunda metade do século XVIII para abrigar os escravos. Eles estão localizados em dois diferentes locais, mas muito próximos um do outro, formando um cenário mórbido em frente a belíssimas praias.

Ao contrário das imensas senzalas encontradas nas fazendas brasileiras, os abrigos das salinas de Bonaire têm no máximo 12 metros quadrados de área construída, onde se amontoavam até dez escravos para dormir.

Com um sistema de ventilação de arrepiar qualquer claustrófobo, os minibarracões apresentam-se com apenas duas janelinhas em cada uma de suas extremidades. E mais nada.

Com certeza, o desconforto dos escravos era amenizado pela encanto da paisagem das praias, de águas turquesa.

A comunidade que mora na ilha é formada, em sua maioria, por negros. Além de respeitar seus antepassados, faz questão de preservar o Papiamento, uma mistura de espanhol com língua nativa que forma um dialeto bastante usado até os dias de hoje.

Mergulhador tem opções para acomodação na ilha

Quem vai mergulhar na ilha de Bonaire, no Caribe, não tem só os resorts cinco estrelas como opção de acomodação. Para aqueles que desejam um lugar também aconchegante, mas com um clima mais familiar e tratamento informal, a dica é Dive Inn Bonaire NV, gerenciado por Babs Meulink.

Seu estúdio está localizado de frente para a praia. Basta apenas atravessar a avenida que margeia o cais da ilha para mergulhar nos sítios marinhos.

Ou, se preferir, tomar um barco e partir para um dos outros 60 pontos à disposição. A plataforma de embarque fica em frente ao Dive Inn.

Babs está acostumada a abrigar mergulhadores das mais diferentes nacionalidades, inclusive brasileiros. Uma das vantagens de seu estúdio é a facilidade de acesso ao centro de Kralendijk, principal vila da ilha de Bonaire.

O hotel está fincado no meio da vila, que oferece supermercados, restaurantes para os mais diversos paladares e lojas de todos os tipos.

(O jornalista viajou a Bonaire a convite da Mastersub)

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