Jaú - A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) identificou ontem a residência que serviu de cativeiro durante o seqüestro de uma família de Itapuí, ocorrido no início de fevereiro último. O barulho de uma serra elétrica ouvido por uma das vítimas foi fundamental para a conclusão da investigação.
Por esse crime, 11 pessoas já foram identificadas sendo que dez delas estão presas e uma está sendo procurada, segundo informações do delegado Edmilson Marcos Bataier.
O seqüestro ocorreu no dia 5 de fevereiro. A mulher e os três filhos menores do empresário Luís Renato de Souza ficaram cerca de 18h em poder dos seqüestradores e só foram libertados após o pagamento do resgate.
Durante os depoimentos das vítimas, a mulher descreveu vários detalhes do cativeiro, informou inclusive que durante uma parte do tempo ela ouviu barulho semelhante ao de uma serra elétrica cortando madeira. Isso levou a polícia a trabalhar com a possibilidade de que a casa usada para o crime ficasse próximo a alguma serraria ou oficina.
Não se sabia a cidade onde ficava o cativeiro, mas descrições da família levavam a polícia a acreditar que deveria ser um lugar próximo a Itapuí, cidade onde as vítimas foram rendidas.
Durante as investigações a polícia chegou aos vários acusados e mesmo depois de localizar o endereço da casa suspeita, que fica em Bocaina, ainda enfrentou alguns contratempos como as declarações do proprietário do imóvel, Flávio Eduardo Pereira Pires, que a princípio teria dado informações que não correspondiam à verdade.
Segundo o delegado, no último dia 20, Pires foi ouvido na delegacia e disse que só teve acesso à casa em abril, portanto dois meses após o crime. As investigações prosseguiram e mostraram, segundo Bataier, que na realidade Pires era o proprietário e morador do imóvel na época do seqüestro. “Confirmamos isso através de declarações de endereços que ele havia feito em documentos assinados no Forumâ€.
As investigações continuaram e os policiais voltaram a casa em questão, que está localizada na avenida Centenário 22, no Jardim Tonon, ao lado de imóvel recém-reformado. A chave para o fimdo mistério, segundo o delegado, foi a observação dos policiais que ao perceberem a casa reformada, imaginaram que nela pudesse ter sido utilizada uma serra.
Ao checar a informação, a vizinha confirmou a suspeita dizendo que de fato o imóvel havia passado por reformas em fevereiro. O marceneiro que trabalhou na reforma é quem tinha tudo anotado em uma caderneta, inclusive o dia em que ele havia se utilizado da serra para cortar madeira.
De posse das informações, Pires foi novamente ouvido pela DIG ontem e segundo o delegado Bataier, mudou a versão que havia dado anteriormente e admitiu que de fato havia alugado a casa por duas semanas, para os seqüestradores.
Sob ameaça
No depoimento à polícia, Pires contou que estava sob ameaça por parte dos seqüestradores. Os marginais, logo depois que o crime foi descoberto, teriam telefonado para Pires ameaçando-o caso ele contasse à polícia que havia alugado a casa.
E ontem, segundo o delegado, diante das evidências, Pires resolveu falar a verdade revelando que no começo de fevereiro foi procurado por dois rapazes - estes já detidos pela polícia - que queriam alugar o imóvel para receber amigos durante o carnaval. O imóvel foi então locado por R$ 200,00 e Pires que na ocasião morava sozinho na casa, foi morar em Jaú.
Depois dos fatos esclarecidos ontem, as vítimas foram levadas de volta ao cativeiro e o reconheceram como sendo o local do crime, segundo a polícia.