Polícia

Seis abandonam o presídio por mês

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 2 min

De acordo com a direção do IPA, em média, seis reeducandos abandonam o presídio todo mês. O IPA tem cerca de 200 funcionários e o prédio onde ficam os alojamentos, cozinha, refeitório e áreas de esporte e lazer é cercado por muros e alambrados.

Mesmo assim, os reeducandos conseguem fugir. Mas Gilberto de Assis Oliveira afirma que o número de abandonos, assim como as brigas com agressões e até mortes, caiu desde que ele assumiu a direção da unidade, em maio de 200.

No final de outubro do ano passado, foi encontrado um corpo de homem enterrado em uma das oficinas do IPA. Até agora, o corpo não foi identificado. A vítima, provavelmente um reeducando, foi degolada e sofreu 25 perfurações. O corpo foi enterrado e só encontrado quando estava em adiantado estado de putrefação.

O crime está sendo investigado pelo 1.º Distrito Policial, que recolheu fragmentos das impressões digitais da vítima. O delegado Ronaldo Divino, titular do 1.º DP, solicitou ao IPA uma relação de todos os reeducandos que abandonaram o presídio no período de um mês antes e um mês após a provável data da morte, visando identificar a vítima.

Divino enviou os fragmentos das impressões digitais e uma relação com cerca de 50 reeducandos para o Instituto de Identificação Ricardo Gumbleton Daunt (IRGD), em São Paulo. Ontem, o delegado recebeu resposta do IRGD, informando que não foi possível fazer a identificação somente com base nos fragmentos de impressões digitais enviadas.

Há oito meses do encontro do cadáver, a Polícia Civil volta à estaca zero na investigação. “Vamos estudar outros meios de identificar a vítima, que é o primeiro passo para esclarecer o crime. Se não sabermos quem é a vítima, fica muito difícil descobrir a autoria”, explica Divino.

Ainda em novembro do ano passado, o juiz da Vara das Execuções Penais de Bauru, Evandro Kato, instaurou procedimento administrativo para apurar a morte e denúncias de que facções criminosas estariam agindo no IPA.

Na época, o JC recebeu denúncias de que funcionários do presídio estariam acuados, trabalhando com medo dos reeducandos e até seguindo suas ordens. Estariam agindo no presídio grupos do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando da Libertação (CDL).

Conforme a denúncia, os dois grupos disputariam o poder de comando e liderariam supostas irregularidades, como saídas do presídio à noite e retorno antes do amanhecer. Na mesma época, foram apreendidos R$ 2,7 mil com um reeducando que retornava para o IPA. O dinheiro, supostamente, seria destinado ao PCC.

O juiz Evandro Kato afirma que o esclarecimento da morte ocorrida no IPA depende da conclusão do inquérito policial e que nenhuma denúncia de irregularidade no presídio foi comprovada até agora.

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