A chuva fina e o frio de cerca de 10 graus na manhã de ontem contribuíram para o aumento no número de reclamações sobre as filas para receber os créditos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) nas agências da Caixa Econômica Federal (CEF) em Bauru.
Apesar do clima adverso, ontem foram registradas as maiores filas nas quatro agências da CEF na cidade. Segundo a assessoria de imprensa do Escritório de Negócios (EN) da Caixa em Bauru, a média de 2,5 mil atendimentos diários na cidade foi ultrapassada, mas ainda não há números oficiais.
De acordo com a assessoria de imprensa, às 3h de ontem já havia gente esperando a abertura da agência central do banco. Por volta das 18h, os caixas já haviam autenticado cerca de mil pagamentos. Mesmo assim, muita gente voltou para casa sem ser atendido e sem senha para retornar no dia seguinte.
José Luís Barsoti, 43 anos, era um dos trabalhadores que reclamavam da demora e da desinformação na fila da agência central da Caixa. Desempregado há três anos, ele relata que, dias atrás, ficou das 7h30 às 19h30 aguardando para retirar cerca de R$ 30,00.
Ontem, Barsoti foi à agência próxima à praça Portugal para obter informações sobre outro crédito ao qual tem direito. Ele reclama que não recebeu orientação adequada na triagem feita na fila e que não conseguiu pegar senha para ser atendido posteriormente. “Não tem fila para idoso, para pessoa deficiente. É uma injustiça o que estão fazendoâ€, declara Barsoti.
Na mesma agência, a faxineira Cleusa Maria Aranha, 54 anos, viu frustrada sua terceira tentativa do dia de sacar o crédito do FGTS. “Fui em três lugares, mas quando chega na nossa vez não tem mais senha para ninguémâ€, afirma.
Cleusa conta que chegou à agência central da CEF antes das 7h. Duas horas depois, uma funcionária do banco a teria avisado de que as senhas haviam acabado.
Triagem
Para a Caixa, a grande causa das filas continua sendo a pressa do trabalhador em sacar o dinheiro aliada à falta de informação. Segundo a assessoria do banco, há casos de pessoas que são orientadas a voltar em 20 dias, mas insistem em retornar no dia seguinte para verificar se há “novidadesâ€.
A Caixa estima que, pelo menos, dois terços dos trabalhadores que vão ao banco em busca do crédito não estão aptos para sacar o dinheiro imediatamente, o que atrapalha o atendimento aos que já podem retirar os valores.
No caso da falta de senhas, a assessoria informa que a distribuição é feita de acordo com a previsão de atendimentos possíveis no dia e somente aos trabalhadores que ainda precisam regularizar a situação.
Como essas informações são colhidas numa triagem prévia feita por funcionários da Caixa, quem ficou sem senha já é orientado a não voltar ao banco em datas específicas de início de pagamentos, o que ocorreu ontem.
Além do horário estendido de atendimento e do funcionamento aos sábados, a assessoria de imprensa informa que a Caixa “não vislumbraâ€nenhuma outra forma possível para agilizar os saques e a orientação.